segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Há 22 anos, governo enfrentava congresso por previdência - no futebol


Jogo entre políticos foi marcado por muitos gols e piadas de duplo sentido

Paulo Renato disputa bola com deputado Francisco Rodrigues. MMilton Seligman no gol do executivo ao fundo. Foto: Marcio Arruda / Folhapress

Por: André Carlos Zorzi

O ano era 1995. O tetra da seleção, a criação do plano real e a primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso como presidente ainda eram fatos 'do ano passado'.

No dia 9 de abril, um domingo, na Granja do Torto, em Brasília, FHC organizava um inusitado jogo de futebol entre os poderes Executivo e Legislativo. À época, uma das principais questões em pauta no mundo político era, assim como hoje, uma reforma na previdência, e o encontro visava melhorar as relações entre eles.

De um lado, ministros e chefes de gabinete e comunicação. Do outro, deputados, e até mesmo um senador. O nome mais aguardado não pôde estar presente por conta de uma viagem à Argentina: Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, então ministro dos esportes.


Pelé participa da novela História de Amor como Ministro dos Esportes

Jornais da época apontavam possibilidade de uma goleada por parte do time do Congresso, já acostumado a jogar junto em alguns finais de semana na casa de Wigberto Tartuce (PP-DF), enquanto os rivais se conheceriam em campo na manhã daquele domingo, na Granja do Torto.

Futebol e Política
Como era de se esperar, a ocasião rendeu inúmeras piadinhas e frase de duplo sentido. Em tom de brincadeira, FHC pedia ao time de seu governo que 'facilitasse' a vida do adversário, já pensando em relações futuras.

"Se eles mostrarem em campo a falta de entrosamento que têm na política, vai ser moleza", provocava o deputado Tilden Santiago (PT-MG).

O 'treinador' escolhido para o Executivo foi Xico Graziano, Chefe de Gabinete da presidência, mas quem se 'intrometeu' na função ao longo do jogo foi Sérgio Motta, ministro das comunicações.



Foto: Folha de S. Paulo

Do lado legislativo, os deputados Vadão Gomes (PP-SP), Wigberto Tartuce (PP-DF) e Paulo Paim (PT-RS) revezaram-se entre a função e o campo - os três jogaram.

Graziano não poupava seus comandados. Quando Paulo Renato Souza, ministro da educação, ainda não havia definido sua posição, o 'técnico' cornetava: "Ele é um polivalente ao contrário: não joga bem em lugar nenhum!"

Xico também incorporava um 'treinador' de verdade: "Vamos ter que cozinhar. Cozinhar com muita paciência, muita calma. Se ganharmos de um a zero, está bom."

O jogo
A partida foi disputada em um campo de futebol society, com oito em campo para cada lado - sem limites para substituições. Estava marcada para as 10 horas da manhã, mas, é claro, precisou ser atrasada.

O motivo eram os ministros da educação e comunicação, respectivamente, Paulo Renato e Sérgio Motta, que alegou estar com o pé direito machucado e preferiu não entrar em campo. Os dois estavam em São Paulo e não puderam chegar a tempo.

Mesmo com as ausências, Fernando Henrique Cardoso deu procedimento ao evento, 40 minutos depois. Os 'atletas' posaram para fotos e o presidente distribuiu flâmulas com as inscrições "Reforma já".


FHC dá início à partida. Foto: Folhapress

Em seguida, deu o pontapé inicial e partiu para assistir ao jogo na 'arquibancada'. Mesmo sem estar escalado, não poderia jogar, já que, de acordo com ele, teria comido uma buchada de bode dois dias antes, em visita à cidade de Nova Jerusalém, Pernambuco, e passado mal na madrugada anterior.

Quando pediam um palpite, ficava em cima do muro: 3 x 2, sem especificar qual time levaria a vitória. "Será do povo", se esquivava.
Paulo Renato chegou quando já haviam se passado 10 minutos de jogo, vestindo uma camisa do Grêmio, sendo provocado por FHC: "Que papelão, cria vergonha, Paulo!"

"Está mais parecendo um piquenique inglês. Os dois lados estão como baratas tontas", palpitava FHC, dando a tônica do jogo, que começou nervoso e faltoso.

Quando Ricardo Gomide (PC do B-PR) começou a entrar com facilidade na área adversária, pelo lado direito, o presidente irritou-se com o lateral-esquerdo de seu time, que secretário do Tesouro Nacional: "Guarnece a defesa, Murilo [Portugal]! Nem parece que você está no Tesouro, deixa tudo solto!"

Sérgio Motta se arrisca nas embaixadinhas. Foto: Folhapress

Trapalhadas
Como a disputa era descontraída, a desorganização foi um show à parte. Por quase cinco minutos, o time do governo contou com um jogador a mais em campo, já que Paulo Renato entrou no lugar de Murilo Portugal em certa altura - sem, porém, esperá-lo sair do gramado.

"Vocês querem ganhar com maioria forçada", reclamou Tilden Santiago. Paulo Paim, que estava do lado de fora na ocasião, invadiu o gramado e pediu a interrupção até que o adversário voltasse a ter o mesmo número de jogadores.

Além disso, o time do Legislativo previa 17 representantes, mas nada menos que 25 apareceram para o jogo. "Não sei quem está jogando, não conheço ninguém", comentava o 'técnico' Paim à certa altura. Alguns políticos estavam em seu primeiro mandato, há poucos meses no cargo, o que fez com que chamasse seus comandados por apelidos criados na hora, como "Bigode" e "Frangão".


Paulo Renato, Milton Seligman e Marquinhos Chedid, que viria a ser presidente do Bragantino Foto: Marcio Arruda / Folhapress

Gols
Aos 22 minutos de jogo, Paulo Renato colocou a mão na bola dentro da área. Pênalti assinalado pelo juiz Norberto Balsanelli, que era segundo tenente do exército.

Wigberto Tartuce foi para a cobrança e abriu o placar. "Vou mandar uma caixa de uísque para o ministro Paulo Renato", brincou após o lance.

Com apenas alguns segundos na etapa complementar, veio o empate: Graziano, que havia entrado em campo, chutou forte, sem chance para o goleiro Ricardo Gomide (PC do B-PR).

A alegria, porém, não durou muito. Aos 4, aos 12 e aos 13, Francisco Rodrigues (PSD-RR) marcou três gols e transformou o placar em goleada. "Tenho que nomeá-lo ministro!", brincou FHC, que também aproveitou para achar um culpado: o goleiro Milton Seligman, secretário-executivo do Ministério da Justiça.


Sérgio Motta ao lado de Wigberto Tartuce. Foto: Marcio Arruda / Folhapress

"Um desastre!", bradou, acompanhado por Sérgio Motta: "Esse goleiro é muito ruim. O legislativo fez um acordo com o Ministério da Justiça."

Paulo Chelotti, agente da Polícia Federal, diminuiu para o Executivo aos 17, e, com mais um gol de Graziano, encostaram no placar aos 23 minutos: 4 x 3.

Aos 28', porém, Rondon Santiago (PPR-AC) deu números finais ao jogo: 5 x 3.

Fim de jogo
Pouco depois do apito final, Sérgio Motta agarrou a bola usada na partida e uma camisa do time adversário. "Vou entregar ao presidente", explicava.


FHC e a bola do jogo. Foto: Marcio Arruda / Folhapress
Um churrasco foi servido enquanto formavam-se grupos para discutir articulações políticas, e, se antes o clima era de disputas acirradas pela bola, agora as conversas tinham um caráter mais negociador. Alguns cogitavam até uma partida de 'volta', no campo do Clube do Congresso, para dali a alguns meses.

Houve tempo, ainda, para que Graziano e José Luiz Portella, presidente da FAE, superassem Vadão Gomes (PP-SP) e Odelmo Leão (PP-MG) em uma partida de truco, uma 'mini-vingança' pela derrota de mais cedo.

No mesmo ano, em 13 de maio, o time do Governo voltou a campo, desta vez para enfrentar uma equipe da Imprensa. Na ocasião, conseguiram vencer por 3 x 2.


Flâmulas "Reforma Já" sendo entregues. Foto: Marcio Arruda / Folhapress

Legislativo 5 x 3 Executivo


Local: Granja do Torto, residência de campo da Presidência da República
Juiz: Norberto Balsanelli (Segundo Tenente do Exército)

Cartão Amarelo: Tilden Santiago (PT-MG)

Confira abaixo os 'jogadores' de cada equipe - Muitos são presença constante no noticiário político até os dias de hoje: 

LEGISLATIVO:
Dilceu Sperafico (PP-PR)
Pedro Canedo (PP-GO)
Fernando Gonçalves (PTB-RJ)
Leonel Pavan (PDT-SC)
Chicão Brigigo (PMDB-AC)
Ricardo Gomide (PC do B-PR)
Herer Parcianello (PMDB-PR)
Wigberto Tartuce (PP-DF)

Substitutos:
Tilden Santiago (PT-MG)
Francisco Rodrigues (PSD-RR)
Ronivon Santiago (PPR-AC)
Marquinho Chedid (PSD-SP)
Rommel Feijó (PSDB-CE)
Paulo Paim (PT-RS)
José Roberto Arruda (PP-DF) (Senador)
Arnon Bezerra (PSDB-CE)
Nelson Meurer (PP-PR)
Vadão Gomes (PP-SP)
Eraldo Trindade (PPR-PB)
Valdomiro Meger (PP-PR)
Francisco Escórcio (PP-MA)
José Janene (PP-PR)
Silvernani Santos (PP-RO)

EXECUTIVO:
Milton Seligman (Secretário-executivo do Ministério da Justiça)
Paulo Félix (Chefe de comunicação do Ministério da Justiça)
Paulo Renato (Ministro da Educação)
José Luiz Portela (Presidente da FAE)
Francisco Graziano (Chefe de Gabinete de FHC)
Paulo Chelotti (Agente da Polícia Federal)
Marlo Litwinski (Chefe de comunicação do Banco do Brasil)
Murilo Portugal (Secretário do Tesouro Nacional)

Substitutos:
Major Villaça (Ajudante de ordens de comitivas de FHC)
Raimundo Dantas (Secretário Particular do Ministro da Justiça)

'Escalados', mas não jogaram: 
Denot Medeiros (Embaixador responsável pelo Mercosul)
Sérgio Motta (Ministro das Comunicações)

Observações:
PPR = Partido Progressista Reformador
PSD = Extinto em 2003. Partido de mesmo nome que o fundado em 2011.
PP = Antes de chegar aos atuais moldes. O número de votação, por exemplo, era o 39.
FAE = Fundação de Assistência ao Estudante

Informações: Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo
Fotos: Folha de S. Paulo


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Quando a Coreia Unificada enfrentou o Brasil num mata-mata

Chong Gang-Song disputa a bola com Élber
Por: André Carlos Zorzi

Nesta semana, as autoridades da Coreia do Sul e Coreia do Norte anunciaram que ambas desfilarão sob a mesma bandeira na cerimônia deabertura dos jogos olímpicos de inverno deste ano, em Pyeongchang, no Sul. Além disso, haverá uma equipe conjunta no hóquei de gelo feminino. Os países estão separados desde o fim da guerra em 1953.

Porém, não é a primeira vez que isso ocorre no mundo esportivo. Em 1991, as duas Coreias se uniam de forma inédita em torneios da FIFA para disputar a Copa do Mundo Sub-20, sediada em Portugal.


O caminho não foi fácil: Argentina, Brasil, Portugal, os donos da casa, e a Irlanda. Os coreanos não se intimidaram e chegaram às quartas de final. Relembre a campanha a seguir.


Bandeira coreana na abertura da Copa do Mundo Sub-20, em Portugal

Duas Coreias em Uma
À época, falava-se em uma unificação dos dois países, conforme consta na reportagem “As Coréias avançam para união”, do jornal O Estado de S. Paulo, em 4 de novembro de 1991:

“Quem poderia imaginar há alguns anos a reunificação das duas Coreias? Depois da queda do Muro de Berlim e do recente encontro dos dois chefes de governo coreanos, essa hipótese passou a ser seriamente admitida. Os governantes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul deixaram clara a intenção de prosseguir conversações que poderão resultar, numa primeira etapa, num acordo de cooperação e de reconciliação. A unificação pode vir depois.”

Além disso, em 17 setembro de 1991, tanto a Coreia do Norte quanto a Coreia do Sul foram admitidas pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Reunião da ONU que resultou na admissão da Coréia do Norte e do Sul. Foto: UN Photo/Milton Grant

A participação dos dois países como uma única equipe aconteceu de última hora. Prova disso é que, durante o torneio asiático sub-19, que dava vaga no mundial, as duas disputaram de forma separada, e inclusive fizeram a final uma contra a outra – o Sul sagrou-se campeão.

Porém, foi feito um pedido especial à FIFA para que jogassem o torneio como uma única seleção, o que foi aceito – e também comemorado pela Síria, que ganhou o direito de disputar a competição por ter ficado na 3ª colocação em seu continente.

Desta forma, a equipe foi montada em 13 de maio de 1991, ou seja, 34 dias antes da estreia no mundial. 

O fato foi citado por João Havelange em um pronunciamento sobre a importância da competição: “É particularmente gratificante para a FIFA que, pela primeira vez na história de um campeonato mundial da FIFA, ambas as Coreias se uniram para formar um único time. Nosso esporte mais uma vez é capaz de cumprir sua missão de unir os povos e, da minha parte, estou convencido de que continuará tendo a oportunidade de continuar a fazer isso no futuro.”

Cho In-Chol, autor do 1º gol da história da Seleção da Coreia

O Time
A composição do elenco era dividida: 10 sul-coreanos e 8 norte-coreanos, totalizando 18 inscritos para a Copa. Somente dois atletas não entraram em campo, um de cada país.

O time base era mesclado por jogadores das duas nações, atuando em harmonia. Curiosamente, enquanto os gols foram marcados por norte-coreanos, o goleiro titular era do Sul.

Nascidos entre 1971 e 1973, praticamente todos do time atuavam por uma universidade ou instituição de ensino. A exceção ficava por conta de Noh Tai-Kyung, que jogava no Posco FC (atual Pohang Steelers), da 1ª divisão do país.

O português Luís Miguel encontra espaço entre a defesa coreana

1ª Fase
Diante de apenas 2 mil espectadores, a equipe estreou contra ninguém menos que a Argentina. Com disciplina e velocidade, conseguiram segurar o empate durante a maior parte da partida e, graças a  um gol de Cho In-Chol, aos 43’ do segundo tempo, conseguiu a vitória, que valia dois pontos. 1 x 0.

No segundo jogo, mais sofrimento: a Irlanda abriu o placar aos 13’ da etapa final, e ia ganhando até os 44’, quando Choi Chol (não confundir com autor do primeiro gol do time) empatou. 1 x 1.

Na última rodada, em 20 de junho, Argentina e Irlanda empataram por 2 x 2 às 19h. Às 21h, logo após o fim da partida, a Coreia enfrentou os donos da casa, Portugal, quando já estava classificada, e sucumbiu por 1 x 0 diante de 38 mil pagantes. 0 x 1.


Cho Jin-Ho disputa a bola com o irlandês McGrath

Brasil x Coreia
Na fase final, a Coreia enfrentaria a Seleção Brasileira, que já havia vencido dois torneios de base da categoria, sendo seu maior campeão até então. Em 22 de junho de 1991, 25 mil pessoas da cidade de Porto foram assistir ao jogo que valia um lugar nas semi finais do mundial.

Brasil: Roger; Zelão, Castro, Andrei (Sérgio Eduardo) e Roberto; Djair, Rodrigo (Ramón) e Marquinhos; Élber, Luiz Fernando e Paulo Nunes.

Coreia: Choi Ik-Hyung; Kang Chul, Lee Limsaeng e Lee Tae-Hong; Chong Gang-Song, Cho Jin-Ho, Kim Jong-Man, Li Chang-Ha e Cho In-Chol; Choi Chol e Seo Dong-Won (Choi Yong-Son).

Coreano corre atrás de Luiz Fernando, com a bola

O primeiro gol do jogo surgiu aos 15’, quando Marquinhos recebeu a bola de Paulo Nunes e chutou forte, da entrada da área, praticamente no ângulo. 1 x 0.

Aos 40’, Li Chang-Ha bateu falta pela direita, na intermediária, em cruzamento para a área. Emerson Castro, à época zagueiro do Juventus da Mooca, tirou de cabeça. Lee Tae-Hong ficou com ela pela esquerda e recuou para um companheiro, que cruzou pelo alto, pela esquerda. Choi-Chol apareceu desmarcado, na entrada da pequena área, e cabeceou. A bola entrou no canto esquerdo do gol, para delírio da torcida dos dois países. O jogo estava empatado, 1 x 1.

A glória coreana, porém, não durou muito: 30 segundos. Foi este o tempo que levou para que Élber voltasse a colocar o Brasil à frente. 2 x 1.



No segundo tempo, as coisas ficaram mais difíceis. Logo aos 2’, o goleiro Choi Ik-Hyung falhou em cobrança de escanteio brasileira, e Djair ampliou. 3 x 1.

Cinco minutos depois, Paulo Nune passou para Marquinhos, que adentrou a área e sofreu pênalti. Djair cobrou forte, rasteiro, no canto esquerdo, transformando o placar em goleada. 4 x 1.

Aos 22’, Marquinhos apareceu pela intermediária, na região central, e tocou para Paulo Nunes, que, pela lateral esquerda da grande área, cruzou a bola de forma rasteira, para Élber concluir. 5 x 1.

Lee Tae-Hong no jogo contra o Brasil

Apesar da derrota, os coreanos saíram de cabeça erguida do torneio. Buscaram jogo através de passes curtos e rápidos pelo chão, além de muita correria, e não desistiram da partida em nenhum momento.

Pecaram principalmente nas jogadas de homem a homem, tanto pelo chão, quanto pelo alto, e não conseguiam atacar com consistência. O ataque, o meio-campo e a defesa jogavam de forma muito espaçada entre os setores, dando margem para que os adversários aproveitarem de falhas.

Portugal sagrou-se campeão, e o Brasil ficou com a medalha de prata. No final das contas, a Coreia perdeu apenas para os finalistas do torneio.

Na foto, 6 jogadores do Sul e 5 do Norte: todos pela Coreia

Confira também o caminho das duas equipes no torneio continental do ano anterior, que garantiu a participação no mundial:

COPA DA ÁSIA SUB-19 - 1990
(Servia como eliminatória para o continental)

Grupo 5 (Jogos disputados em Dacca, Bangladesh)
Coreia do Sul 3 x 0 Malásia
Coreia do Sul 4 x 0 Paquistão
Coreia do Sul 3 x 0 Tailândia
Coreia do Sul 1 x 1 Bangladesh

Grupo 6 (Jogos disputados em Kunming, China)
Coreia do Norte 3 x 1 Hong Kong
Coreia do Norte 1 x 1 China
Coreia do Norte 18 x 0 Macau

*Na última rodada, China e Coreia do Norte chegaram empatados em pontos na liderança. Os chineses com saldo + 11, e os norte-coreanos com +2. A China fez 8 x 0 em Hong Kong, o que lhe deixou com um gol a menos em saldo que a Coreia, portanto, eliminada.

Torneio Asiático Sub-20
(Jogos disputados em Jacarta, Indonésia)
As duas Coreias avançaram na 2ª posição em seus respectivos grupos.

Grupo A
Coreia do Norte 4 x 1 Índia
Coreia do Norte 5 x 1 Indonésia (classificou-se à semi final com antecedência)
Coreia do Norte 0 x 1 Catar

Grupo B
Coreia do Sul 1 x 0 Japão
Coreia do Sul 1 x 1 Síria
Coreia do Sul 0 x 0 Bahrein

Semi final
Coreia do Sul 1 x 0 Catar
Coreia do Norte 2 x 1 Síria

Final
Coreia do Sul (4) 0 x 0 (3) Coreia do Norte
(Disputa de pênaltis)

*O torneio reservava duas vagas para a competição em Portugal, portanto, os dois finalistas já estavam classificados. Com a união coreana para a disputa do mundial, a vaga ficou com a Síria, que venceu a disputa pelo 3º lugar por 1 x 0 no dia anterior à final.

Imagens e informações: FIFA

domingo, 29 de outubro de 2017

2º Turno do Corinthians no Brasileirão já é igual ao do rebaixamento em 2007




O que o time do Corinthians de 2017 tem em comum com o de 2007, considerado pela torcida como um dos piores da história do clube – e que rendeu à equipe seu primeiro rebaixamento?

Mesmo ocupando a liderança do campeonato, o Corinthians-2017 possui a mesma pontuação que o Corinthians-2007 tinha no 2º turno do campeonato, nesta mesma altura da competição, a 31ª rodada (12ª do returno).

Se considerarmos apenas os resultados obtidos no segundo turno de cada campeonato, as duas equipes estariam com 12 pontos na tabela. A diferença ficaria restrita apenas ao saldo de gols, pior na equipe de dez anos atrás. Nos dois casos, o aproveitamento é de uma equipe rebaixada: 33%.

É claro que trata-se de um fato estatístico, mas serve como curiosidade para mostrar a que ponto chega a decadência de resultados do time comandado por Fábio Carille em relação ao magnífico 1º turno, tendo uma amostragem significativa (12 jogos, praticamente um terço do campeonato).

Confira abaixo a comparação entre os resultados do returno:

Corinthians-2017
Chapecoense 0 x 1 Corinthians = 3 pontos
Corinthians 0 x 1 Vitória = 3 pontos
Corinthians 0 x 1 Atlético-GO = 3 pontos
Santos 2 x 0 Corinthians = 3 pontos
Corinthians 1 x 0 Vasco = 6 pontos
São Paulo 1 x 1 Corinthians = 7 pontos
Cruzeiro 1 x 1 Corinthians = 8 pontos
Corinthians 3 x 1 Coritiba = 11 pontos
Bahia 2 x 0 Corinthians = 11 pontos
Corinthians 0 x 0 Grêmio = 12 pontos
Botafogo 2 x 1 Corinthians = 12 pontos
Ponte Preta 1 x 0 Corinthians = 12 pontos


Corinthians-2007
Juventude 2 x 2 Corinthians = 1 ponto
Corinthians 0 x 3 Cruzeiro = 1 ponto
Atlético-MG 5 x 2 Corinthians = 1 ponto
Corinthians 2 x 0 Santos = 4 pontos
Corinthians 1 x 0 América-RN = 7 pontos
Paraná 1 x 0 Corinthians = 7 pontos
Corinthians 0 x 1 Botafogo = 7 pontos
Palmeiras 1 x 0 Corinthians = 7 pontos
Corinthians 1 x 2 Sport = 7 pontos
Fluminense 1 x 1 Corinthians = 8 pontos
São Paulo 0 x 1 Corinthians = 11 pontos
Corinthians 1 x 1 Internacional = 12 pontos

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Suposta irregularidade do Criciúma pode prejudicar andamento da Série B

*Atualização:

Resposta cedida pelo Depto. Jurídico do Criciúma ao Muro do Zorzi:

"Desde a data da aplicação do cartão vermelho ao atleta, até o dia seguinte ao seu julgamento, o mesmo poderia ser escalado (artigo 113, do CBJD).


O fato de a imprensa ter divulgado que o atleta não foi escalado, porque estava “suspenso” não modifica os efeitos da lei (artigo 111, do CBJD).

Após a decisão do STJD, houve interposição de recurso, inclusive, concedendo efeito o suspensivo do cumprimento da decisão recorrida, conforme publicação abaixo.



Assim sendo, não existiu, nem existirá até o julgamento do recurso, nenhuma irregularidade nas escalações do atleta.  "


*Nota do Muro do Zorzi sobre a resposta:
- É válido ressaltar que em nenhum momento a postagem deixa a entender que a divulgação na imprensa tornaria o atleta suspenso, pois isso é incabível. 

O questionamento levantado com isso remete ao fato de que o atleta, que vinha sendo titular até então, e voltou a ser titular em seguida, foi afastado do jogo em questão, contra o Santa Cruz, sem motivo aparente. 

A ausência de irregularidade mantém certa estranheza sobre o caso, afinal, soa como se o clube tivesse "errado" por tomar "precauções demais", e optado por não contar com um jogador quando este de fato estava livre para utilização em jogo.

Segue abaixo a postagem original:

Uma possível irregularidade pode fazer com que o Criciúma perca pontos na Série B do Campeonato Brasileiro.

Isso por conta de um caso bastante semelhante ao que fez com que o Flamengo perdesse quatro pontos na tabela graças à escalação de André Santos.

No dia 21 de Julho o Criciúma foi eliminado da Copa do Brasil pelo Grêmio, após cobrança de pênaltis. Aos 35 minutos do segundo tempo desta partida, o lateral-esquerdo Guilherme Santos foi expulso em decorrência de seu segundo cartão amarelo.

Eliminado do torneio em que a suspensão foi adquirida, o atleta deveria cumpri-la na competição seguinte organizada pela CBF a qual sua equipe disputasse, ou seja, a Série B. Porém, ela só poderia ser cumprida após o julgamento do caso no STJD, o que veio a ocorrer apenas em 31 de Julho, quando ficou decidido que sua pena seria de apenas uma partida.

Resultado do Julgamento do atleta em 31/07/2015

Art. 62 do Regulamento Geral de Competições da CBF
Art. 171 do CBJD

Confira abaixo as partidas do Criciúma após a expulsão:


21/07 – Expulso na Copa do Brasil ante o Grêmio

*Vale lembrar que na partida anterior pela Série B, disputada em 18/07, o jogador não recebeu nenhum cartão. De fato, a suspensão parece referida à da Copa do Brasil.

28/07 – Entrou em campo contra o Botafogo

31/07 – Julgado no STJD, e condenado a cumprir suspensão de uma partida.

31/07 – Entrou em campo contra o Boa Esporte

07/08 – Entrou em campo contra o Oeste

11/08 – Entrou em campo contra o Paysandu






Trecho de notícia disponível no site da ESPN



Ou seja, após o dia do julgamento (e até no próprio dia do julgamento) o atleta ainda não cumpriu a suspensão como deveria.

Não há dúvida de que não houve má fé por parte do Criciúma, e muito menos por Guilherme Santos. Não seria a primeira vez, porém, que um erro do tipo custaria tão caro a um clube, tal como o próprio exemplo do Flamengo já citado.

Como é de costume, a complicada legislação esportiva brasileira dá margens a dúvidas a qualquer um que não seja especialista em direito esportivo, como é o caso do autor deste blog. Por isso levanto aqui a questão: estaria de fato o atleta atuando em condição irregular?

Casos recentes de irregularidades constatadas alteraram o rumo de campeonatos, tal como o rebaixamento da Portuguesa em 2013, o não-acesso do América Mineiro em 2014, e até mesmo a eliminação do Sampaio Corrêa na 1ª fase da Copa do Nordeste 2015.

À ocasião, André Santos foi expulso na final da Copa do Brasil, em 27 de novembro de 2013. “Cumpriu” sua suspensão na partida contra o Vitória, válida pela Série A, em 1º de dezembro. Como ainda não havia ido a julgamento, o “cumprimento” foi em vão. Dias depois, em 7 de dezembro, quando deveria de fato cumprir a punição pendente, entrou em campo e ocasionou a perda de 4 pontos na tabela para o time da Gávea.

*O Muro do Zorzi se dispõe a publicar neste espaço qualquer resposta oficial por parte dos envolvidos nesta postagem, ou até mesmo uma correção bem feita por parte de algum leitor. Basta contatar via e-mail: andre.carlos.zorzi@gmail.com

**Tal fato foi observado no dia 12 de agosto e postado o mais rápido possível, a fim de que, caso confirmada, a situação se resolva antes do sábado, dia 15, data em que o Criciúma volta a campo. Vale lembrar casos como o do América ano passado, quando a equipe chegou a ser punida com base no número de jogos em que o atleta esteve em campo irregularmente. Em outras palavras, quanto mais a situação se alongar, maior o prejuízo ao esporte.

***Não custa nada ressaltar: a intenção desta postagem é somente a de alertar, e não a de prejudicar quem quer que seja.