sexta-feira, 30 de maio de 2014

Naturalização Artificial


No mundo do futebol sempre foram constantes as disputas entre seleções nacionais, equipes formadas por atletas nascidos em determinado país, nação, ou território, com o intuito de jogarem entre si representando suas respectivas bandeiras. Porém, tão constantes quanto esses embates, são naturalizações de jogadores nascidos em determinado local que atuam por uma seleção que não é a sua original.

Existem os mais diversos motivos para que isso aconteça, em alguns casos, por exemplo, há uma relação de descendência do jogador com determinado país no qual seus pais nasceram, em outros, o profissional se muda para um país, seja muito jovem ou já em plena atividade profissional e vive por anos a fio residindo em determinado local, ou até atletas que não possuem nenhum vínculo com determinada região, mas recebem propostas financeiras por parte das federações que lhes soam interessantes e partem em busca da oportunidade de vestir uma camisa nacional.

As normas que regulamentam essa questão também variam ao longo do tempo. Para ficar apenas em épocas mais recentes, em 2004 a Fifa restringiu as naturalizações apenas a quem tivesse “relações claras” com o país ao qual defenderiam, ou seja, ser filho ou neto de um cidadão do país ou ter morado nele por ao menos dois anos consecutivos. Até então, bastava que o atleta jamais tivesse enfrentado a seleção pela qual iria se naturalizar, e possuísse a cidadania de determinado país. Em 2008, houve nova mudança na regra, e ao invés de dois anos mínimos tornaram-se necessários cinco. Ao final de 2013, a regra foi novamente alterada, já que até então os atletas poderiam atuar pelas categorias de base de uma seleção antes de optar por outra, porém, bastava atuar uma partida profissional que essa escolha estaria tomada pelo resto da vida. Com a regra então adotada, um jogador precisaria atuar em um jogo oficial (por exemplo Eliminatórias ou Copa do Mundo) para voltar atrás, de forma que amistosos estariam liberados.

Foi o que aconteceu com o atacante do Atlético de Madrid Diego Costa, nascido em Lagarto no Sergipe, joga no futebol espanhol desde 2007, chegou a ser convocado pelo técnico Luiz Felipe Scolari e entrou em campo com a camisa da seleção brasileira em março de 2013, nos amistosos contra Itália e Rússia. Três meses depois, obteve cidadania espanhola e foi convocado a defender a Espanha, e em março de 2014, menos de um ano após enfrentar a seleção italiana pelo Brasil, jogou novamente contra ela, desta vez com a camisa espanhola.

Recentemente, a questão das naturalizações vem crescendo a ponto de muitos considerarem-na como um problema. Numa declaração dada em 2011, o delegado da Federação dos Emirados Árabes Unidos defendia que regras que facilitam a naturalização de jogadores beneficiariam países pequenos que possuem grandes comunidades de expatriados em seu território, o que na visão de algumas pessoas é apenas uma justificativa para o país, que possui uma grande riqueza concentrada nas mãos de dirigentes, possa literalmente contratar jogadores de outras nacionalidades e assim conquistar em campo resultados que demorariam décadas de trabalho árduo e sério para tentarem ser atingidos.

Montagem com as camisas com as quais Diego Costa já atuou
Nas Copas do Mundo disputadas no novo milênio, todas com a presença de 736 atletas distribuídos em 32 seleções, houve um notório aumento na quantidade de naturalizados. Em 2002, haviam 43, em 2006 64 e em 2010 foram 76. Para a Copa do Mundo de 2014 haviam 106 naturalizados apenas na pré-lista (que inclui 30 selecionados para cada equipe, com sete a serem cortados até o início da competição), e é provável que o número continue aumentando.

O Passado: Naturalizações ocorrem desde sempre

Engana-se quem acredita que jogadores que vistam a camisa de um país no qual não nasceram surgiram apenas na atual era do futebol moderno e globalizado, e que em tempos passados só entrava em campo quem possuía uma identificação profunda e amorosa com a nação que estava defendendo, na linha de argumentação do “na minha época era melhor”. É claro que provavelmente, a quantidade com a qual esse fenômeno ocorre atualmente, além das motivações para que isso ocorra sejam diferentes, mas não deixa de ser algo que sempre foi comum no mundo futebolístico.



Ferénc Puskas
Alfredo Di Stéfano
Lázlo Kubala


Exemplos de grandes jogadores famosos não faltam, como Lázló Kubala, 3º maior artilheiro de toda a história do Barcelona, clube no qual atuou por 11 temporadas. Nascido na Hungria, estreou no futebol internacional jogando pela seleção da Tchecoslováquia, já que tentara escapar do serviço militar húngaro indo ao país vizinho. Posteriormente, foi chamado pelo serviço militar pelo novo país, e retornou e atuou pela Hungria, e por fim, pela Espanha, quando chegou a fazer parte até mesmo da lista de jogadores para a Copa do Mundo de 1962, quando não pôde jogar por conta de uma lesão. Além dele, Férenc Puskas, considerado por muitos um dos maiores jogadores da história do esporte, chegou a atuar em duas Copas do Mundo por países diferentes, pela mágica Hungria de 54, tendo inclusive marcado o primeiro gol da final do torneio, e pela Espanha oito anos depois, em uma campanha mais apagada. Ambos, porém, foram motivados a fugir da Hungria por conta da repressão causada pela revolução húngara.




...Mazzola no Brasil
Altafini na Itália...
Ídolo de equipes como River Plate, Millonarios e principalmente do poderoso Real Madrid, Alfredo Di Stefano disputou a Copa América de 1947 pela seleção argentina e as eliminatórias para as Copas do Mundo de 1958 e 1962 pela seleção espanhola. José João Altafini, o Mazzola, sagrou-se campeão mundial com a seleção brasileira em 1958, e quatro anos depois estava novamente no torneio mundial, mas desta vez atuando com a camisa da Itália. Como justificativa, alega que à época a confederação não chamava atletas de fora do país para a seleção, e como após a primeira Copa transferiu-se para a Europa jogar no Milan, não seria convocado pelo Brasil, e decidiu jogar pela Itália, tendo inclusive dito: “não fui eu que deixei o Brasil. Foi o Brasil quem me deixou”.

Durante a primeira Copa do Mundo, em 1930, a seleção dos Estados Unidos sequer poderia escalar o time titular somente com jogadores nascidos em solo americano, já que entre os 16 participantes da equipe, haviam 5 escoceses e um inglês. Até mesmo a finalista Argentina e o campeão Uruguai contavam com espanhóis em seu elenco, Suaréz pelos argentinos e Cea e Fernandéz pelos uruguaios.









O Caso da Guiné Equatorial

Pequeno país de colonização espanhola no Centro-Oeste da África, a Guiné Equatorial chama atenção do mundo principalmente por duas coisas nos últimos tempos: A riqueza de Obiang Mbasogo, presidente do país e citado como um dos chefes de Estado mais ricos do planeta, e a frequência e quantidade com a qual sua seleção nacional de futebol aproveita-se de naturalizações.

Em pé: Danilo(Brasil), Lawrence Doe (Libéria), Fousseny Kamissoko (Costa do Marfim), Iván Bolado(Espanha), Rui(Espanha), Randy (Espanha)
Agachado:  Bem Konaté (Costa do Marfim), Javier Balboa (Espanha), Juvenal (Espanha), Kily(Espanha), Thierry Fidjeu (Camarões)
Entre todas as equipes nacionais existentes no mundo hoje, provavelmente é a que mais se assemelha a um clube de futebol. Uma minoria de atletas convocados para os jogos costumam ser nascidos no território do país, sendo a maioria dos importados espanhóis, brasileiros e colombianos, além de camaroneses, nigerianos, entre outros países. O mesmo acontece na seleção feminina, com muitas espanholas, camaronesas e brasileiras compondo as convocações. Isso custou caro à seleção nas últimas Eliminatórias para a Copa do Mundo, quando irregularidades na escalação de Nsue, atleta com descendência no país, porém nascido na Espanha foram relatadas e a equipe perdeu os três pontos conquistados numa vitória sobre Cabo Verde.

Recentemente, o volante Claudiney Rincón faleceu em decorrência de uma malária contraída após defender o país nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Outros jogadores passaram pelo mesmo, tendo o goleiro Danilo Clementino chegado a ficar em coma por 10 dias e internado por quase um mês.


E no Brasil?

Já na seleção brasileira, temos um caso interessante. Somente quatro jogadores nascidos fora do território nacional disputaram jogos com a seleção canarinho. São eles:

Sidney Pullen
- Sidney Pullen:
Nascido na cidade de Southampton na Inglaterra em 1895, veio ao Brasil muito jovem, por conta do trabalho de seu pai, em uma fábrica. Aos 17 anos de idade já havia sido campeão carioca atuando pelo Paissandu, clube que acolhia muitos ingleses no Rio de Janeiro, e em 1915 foi para o Flamengo, junto com seu pai Hugh Pullen que tornou-se tesoureiro do clube, tendo inclusive adotado o uniforme rubro-negro e aposentado o “cobra-coral” (Semelhante ao atual uniforme do Santa Cruz pernambucano) que remetia à bandeira alemã à época da Guerra.

No ano de 1916, disputou o 1º Campeonato Sul-Americano, precursor do que hoje é a Copa América, torneio disputado nas duas primeiras semanas de julho que fazia parte das comemorações do centenário de independência argentina, sede da competição. Ao lado de Chile, Uruguai e dos anfitriões, disputou as três partidas atuando na região do meio-campo, e curiosamente, foi o árbitro da partida entre Argentina e Chile pelo mesmo torneio.

Ainda no mesmo ano, foi chamado para o exército inglês durante a 1ª Guerra Mundial, voltando tanto ao país quanto ao Flamengo já no ano seguinte. Não se tem a data certa de sua morte, apenas que foi na década de 1950.




Casemiro Amaral
- Casemiro Amaral:
Nascido em Lisboa, Portugal ao ano de 1892, veio para o Brasil e iniciou a carreira no mundo da bola aos 19 anos, pelo América carioca. De lá transferiu-se para o Germânia em São Paulo capital, em rápida passagem por um ano até chegar ao Corinthians, onde ficou até 1914. Entre 1915 e 1917, atuou no Mackenzie, e prestou serviços à seleção brasileira no Campeonato Sul-Americano de 1916 e 1917, na posição de goleiro, quando atuou em cinco partidas e foi vazado por 11 vezes. Acabou falecendo em 1939.







Francisco Police
- Francisco Police:
Nascido em Caserta, na Itália no ano de 1893, participou da primeira partida do Sport Club Corinthians Paulista, a derrota para o União Lapa em 1910. Também atuou no primeiro jogo internacional da história do clube, o 0 x 3 contra o Torino em 1914. Pelo time, foi bicampeão paulista em 1914 e 1916, e chegou a atuar também pela equipe uruguaia do Montevideo Wanderers. Foi chamado para a partida entre a seleção brasileira e o Dublin do Uruguai, em General Severiano em 1918. Faleceu no ano de 1952.








Marcelo Moreno
- Marcelo Moreno:
Filho de pai brasileiro e mãe boliviana nascido na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra, possuía dupla cidadania por conta das origens paternas. Começou a jogar futebol na base do Oriente Petrolero, e chegou ao Brasil em 2004, para jogar pela equipe do Vitória, em Salvador. À época com 17 anos, foi o primeiro nascido fora do país convocado pelas categorias de base da Seleção Brasileira, num amistoso contra a equipe mineira da Caldense e na Copa Sendai, competição sub-20 sediada no Japão, na qual marcou 2 gols em 3 partidas disputadas. Como tinha dupla nacionalidade por conta do pai e do local de nascimento, optou pela seleção profissional da Bolívia, onde tem menos concorrência e é convocado com regularidade até os dias de hoje.



Quando virá o Primeiro (Na era profissional)?
Como Marcelo Moreno disputou jogos apenas pelas categorias de base, e os outros três o fizeram antes da era do profissionalismo, até hoje nenhum atleta naturalizado realmente defendeu a camisa da seleção profissional principal do Brasil.


Andreas Pereira


Porém, isso pode estar prestes a mudar, já que Andreas Pereira, meio-campista de 18 anos do Manchester United nascido em Duffel, na Bélgica,  que passou pelas seleções belgas sub-15, sub-16 e sub-17 já declarou interesse em atuar pela seleção brasileira, e inclusive foi convocado pelo técnico das categorias de base da seleção brasileira Alexandre Gallo para a Panda Cup, torneio disputado na China. Se chegará a vestir a amarelinha em um jogo na equipe profissional, só o tempo dirá, mas é um fortíssimo candidato a inaugurar esta escrita.







Brasileiros pelo mundo

Por mais que muitos não vejam o Brasil como o “País do Futebol”, é inegável nossa fama com a bola nos pés pelos quatro cantos do mundo. Por isso, não faltam exemplos de atletas nascidos no Brasil que tenham optado por defender outras seleções nacionais, desde as mais fortes, como Alemanha (Cacau, Kurányi), Portugal (Deco, Liédson, Pepe), Espanha (Diego Costa, Marcos Senna), Itália (Amauri, Thiago Motta, e entre os antigos, Filó e Mazzola), passando pelas médias, como Turquia (Marco Aurélio, Wéderson), Tunísia (José Clayton, Francileudo Santos), Japão (Marcus Túlio Tanaka, Wagner Lopes, Alex Santos) e principalmente pelas pequenas, como Togo (Hamilton, Fabinho, Cris, Bill, Fábio Oliveira, Mikimba), Guiné Equatorial (Danilo, Ricardinho, William, Florian, Claudiney Rincón, Jônatas Obina, Nena, Neto, entre outros), Timor Leste (Ramon Saro, Paulo Helber, Wellington Rocha, Diogo Rangel, Murilo de Almeida, Ade, Alan Leandro, entre outros), Armênia (Marcos Pizzelli) e Moldávia (Henrique Luvannor). Longe de terem sido citados todos os brasileiros naturalizados, já é possível ter uma ideia do quão grande é o fenômeno com essa lista.

Wellington Rocha, do Timor Leste
Para conhecer um pouco mais sobre como é ser um naturalizado, entrevistamos o zagueiro Wellington Rocha, 23, atualmente sem clube e Fábio de Azevedo, o Fabinho, 37, aposentado há 4 anos. O primeiro defende a equipe do Timor Leste, enquanto o segundo atuou pela seleção do Togo.


Fabinho, Togo
O processo de naturalização pode ser algo natural, como qualquer pessoa que more por determinado tempo num país, pode ser feito por conta da árvore genealógica da família, e no caso, o jogador também pode ser “convidado” a se naturalizar. O técnico brasileiro Antônio Dumas, por exemplo, é conhecido por utilizar-se desse artifício, naturalizando mais de uma dezena de atletas brasileiros ao longo de suas passagens pelo comando da Guiné Equatorial e Togo. “O convite surgiu quando eu estava jogando na Chapecoense em 2003, e estavam disputando as Eliminatórias para a Copa Africana de 2004. Haviam requisitos diferentes, mas a única coisa que o presidente (da federação) queria mesmo era que eu tivesse a pele morena. Não tinha nenhuma relação particular com aquela nação, mas minhas origens são africanas, e com isso tudo ficou mais fácil”, relata Fabinho. “O treinador que estava à frente da seleção à época, Antônio Vieira, me fez o convite para eu me naturalizar e jogar lá. Aceitei, viajei para o Timor e estando lá iniciamos o processo burocrático, e já fui treinando com o grupo.”, conta Wellington.

Outro ponto importante no que tange o ato de defender uma equipe nacional é o fato de que se está representando o país, e consequentemente, sua população, sua cultura, e suas particularidades. Muitas das críticas feitas a jogadores naturalizados são baseadas nesse suposto distanciamento que há entre quem nasce e é criado em um local, e quem já chega a este local como um cidadão formado, afinal, boa parte da graça dos jogos entre seleções se dá por conta desse espírito e orgulho diferenciados que existem quando se defende o próprio país. Quando envolve-se dinheiro numa convocação, é natural que hajam desconfianças quanto à afinidade e à entrega que um atleta naturalizado irá aplicar em campo. Wellington comenta sobre isso, “Eu acho o ‘pagamento’ algo neutro e natural no futebol de seleções. Acho negativo a ausência de uma relação entre o atleta com o país. Quando aceitei o convite, sabia que minha vida iria mudar. Sempre sonhei em servir ao Brasil, mas jogar por uma seleção como o Timor é um privilégio, e por isso procurei acabar com todas as diferenças e me aprofundar e habituar ao país a ponto de me sentir de fato um timorense. Pela forma como fui recebido, pelo clima parecido com o Brasil, a semelhança entre os povos, fui me interessando cada vez mais pelo país, e viajo todos os anos e fico meses por lá, me sentindo em casa.”. Fabinho também conta não ver desvantagens para um naturalizado, “Busquei conhecer a cultura local, era simples mas de muito aprendizado para nós cinco que formávamos a delegação brasileira. Não acho que hajam desvantagens em atuar por uma seleção na qual se é naturalizado. Profissionalmente falando, na hora do jogo todos querem ganhar, e é isso que importa. Até hoje acompanho tudo que se passa no futebol de minha segunda nação, as eliminatórias, os atletas.”.


Toda essa desconfiança em relação ao envolvimento do atleta com a camisa que veste pode acabar sendo revertida em um tratamento diferenciado por parte da imprensa, torcida e até mesmo dos próprios companheiros de time. Quando o brasileiro Marcos Aurélio completou cinco anos morando no país e decidiu ser o primeiro jogador a se naturalizar para defender a seleção da Turquia, enfrentou grande resistência de pessoas que não acreditavam que aquilo poderia dar certo. No fim das contas, o brasileiro mudou de nome, aprendeu a falar turco e cantar o hino nacional e teve seu esforço reconhecido pelo povo turco. Com isso podemos perceber que um jogador naturalizado acaba sim tendo que percorrer um caminho mais difícil que os demais companheiros de seleção, já que não tem que provar o que sabe fazer dentro de campo, mas fora dele e no seu comportamento também. Além disso, a presença de um naturalizado pode ser vista como um “roubo” de vaga de algum atleta da casa, sem falar em países no qual o preconceito e a xenofobia infelizmente são enraizados até mesmo entre os próprios jogadores. Porém, Fábio conta que se dava bem com seus colegas de seleção, “havia uma relação muito boa com os outros jogadores, praticamente de irmão. Receberam os brasileiros muito bem, e com muito respeito.”, e Wellington conta que sentiu um tratamento diferenciado, mas de outra maneira, “Eu era novo por lá e todos ficavam muito procupados com meu bem estar, me tratando de forma ‘diferente’. Com o passar do tempo perceberam meu jeito tranquilo e hoje me tratam igual a todos os atletas. Quanto à torcida, eu ainda sinto que a cobrança é um pouco maior sobre mim, mas vejo como algo positivo, já que me motiva”.

Claro que não poderia faltar a pergunta que mesmo sendo muito simples, sintetiza, resume e diz muito acerca da questão das naturalizações:

“Num jogo entre o país que você defende e o Brasil, você torceria para quem?”

Fabinho esquiva: “No lado profissional, sempre Togo. Mas amo minha nação”.

Já Wellington é mais direto: “Nasci no Brasil, mas defendo com orgulho as cores do Timor. Estando dentro ou fora de campo, Timor Leste sem dúvida!”.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Análise das Eliminatórias para a Copa Africana de Nações 2015

Neste domingo dia 28 foram divulgados os grupos das Eliminatórias para a Copa Africana de Nações 2015, a ser realizada no Marrocos.







Forma de Disputa:                      

Haverá uma primeira fase, na qual participam os 28 países piores colocados num ranking feito pela federação que inclui resultados das duas últimas Eliminatórias para a CAN, as três últimas edições da CAN e ainda as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Vale lembrar que já ocorreu uma fase preliminar entre os dias 11 e 20 deste mês, na qual a Mauritânia avançou no confronto ante as Ilhar Maurício, e o Sudão do Sul classificou-se graças à desistência da Eritréia.

Nesta primeira fase, os 28 times se enfrentam em partidas de ida e volta, a serem disputadas entre 16 de maio e 1º de Junho deste ano, e os 14 classificados enfrentam-se na 2ª fase entre si nos mesmos moldes, entre os dias 18 de Julho e 3 de Agosto de 2014.

Os 7 classificados juntam-se aos 21 melhores ranqueados, totalizando 7 grupos de 4 times cada.

Na fase de grupos, cada equipe jogará partidas de ida e volta contra as outras seleções do grupo, e ao final de 6 rodadas os dois primeiros colocados de cada grupo estarão classificados para a Copa Africana de Nações do ano que vem. O maior pontuador entre os terceiros colocados receberá a última vaga.
Vale lembrar que a equipe do Marrocos já tem vaga garantida por ser o país-sede, e Djibuti e Somália não participarão.

Previsões:


Quem deve avançar de fase:

Libéria, Quênia, Uganda, Guiné Equatorial, Congo, Líbia, Botswana, República Centro-Africana, Serra Leoa, Gâmbia, Benin, Malauí, Zimbábue e Moçambique.


Quem deve avançar de fase:

Quênia, Uganda, Líbia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Malauí, Zimbábue

Confira todos os grupos:
(Estão destacadas as equipes nas quais eu acredito na classificação)

 
Nigerianos levantando a taça do ano passado, após vencerem a Burkina Faso
Grupo A
Nigéria
África do Sul
Sudão
Namíbia / Congo / Líbia / Ruanda

Atual campeã, a Nigeria tem tudo para assegurar a vaga para a defesa de seu título. Com o ótimo goleiro Enyeama, que recentemente bateu recordes de invencibilidade no campeonato francês, o volante Obi Mikel e os jovens Moses e Musa deve se sobressair do restante do grupo, que não é fraco.

A África do Sul possui uma certa “supervalorização”, já que continua sendo considerada uma seleção perigosa por muitos, mesmo não se classificando para nenhum torneio em que não fosse o país sede desde a Copa do Mundo de 2002 e a CAN de 2008, além do patético papelão comemorando a “vaga” para a edição de 2012 do torneio, já que o técnico e os atletas achavam que o regulamento previa o saldo de gols como primeiro critério de desempate, ao invés do confronto direto que deu a vaga a Niger. Com a maior parte dos atletas vindos do futebol local, tentarão mudar a recente escrita.

Se mantendo em uma boa colocação no ranking recentemente, o Sudão mesmo sem realizar boas campanhas acaba por garantir vagas nas fases avançadas de Eliminatórias. Na para a Copa, por exemplo, venceu apenas a Zâmbia (em jogo que foi posteriormente revertido como derrota por irregularidade) e com derrotas até para Lesoto, em casa, foi lanterna em seu grupo. A conturbada situação política que cerca o país e o vizinho Sudão do Sul nos últimos anos pode ter contribuído bastante para as más campanhas, ainda mais tendo em vista que a seleção é quase que inteiramente baseada em jogadores do Al Hilal e Al Merrikh, os dois maiores clubes do país.

Campeã do CHAN deste ano (competição igual à CAN, porém, sem a participação de atletas que atuem fora de seus países), a Líbia possui um time que também é inteiramente baseado no futebol local. Vindo de um histórico momento político, com a derrubada de Kaddafi do poder, ficaram próximos à inédita vaga em uma Copa do Mundo, quando quase avançaram para a última fase. Chegaram à última rodada dependendo de um empate fora de casa contra Camarões para que avançassem, porém, graças a uma irregularidade do Togo os camaroneses conquistaram os 3 pontos do W.O., invertendo a vantagem do empate, que acabou não sendo usada, já que houve vitória do time da casa por 1 x 0.


Momento do jogo entre Mali e Argélia, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em 2012

Grupo B
Mali
Argélia
Etiópia
São Tomé e Príncipe / Benin / Malauí / Chade

Com a aposentadoria de Kanouté e a idade avançada do zagueiro Adama Coulibaly e do meia Seydou Keita, o Mali não impõe mais tanto respeito quanto conseguia alguns anos atrás, mesmo com a 3ª colocação da Copa Africana de Nações. Não tendo ido bem nas Eliminatórias para a Copa, conseguiu vencer a Argélia, novamente sua rival, ainda no início do torneio. Como tantos outros casos, também passou por um momento político delicado, com o auge da crise eclodindo justamente durante o período da CAN do ano passado.

Com a juventude de Slimani e Feghouli, e a experiência de Bougherra e Djebbour, a Argélia possui um time com muitos jogadores que atuam em solo estrangeiro, e tenta manter o embalo recente, no qual conseguiu se classificar para as Copas de 2010 e 2014, além da CAN de 2010 e 2013. Possuem boas chances de avançar, porém, a campanha de classificação para a CAN de 2012, quando o time ficou atrás até mesmo da República Centro-Africana, serve para lembrar de que nem sempre é possível ter vida fácil.

Passando pelo melhor momento de sua história, classificando-se para as últimas edições do CHAN e da CAN, além de chegar à fase final das eliminatórias para a Copa do Mundo, sendo uma das piores ranqueadas de início, onde foi eliminada pela Nigeria. O melhor jogador da Etiópia atualmente é Saladin Said, que semana passada assinou contrato para atuar pelo Al Ahly do Egito, o maior clube do continente, mas ele terá dificuldades para continuar a fazer história devido ao restante do grupo.

O ocupante da última vaga dificilmente conseguirá ir além, mas deve haver uma briga interessante entre Benin e Malauí, tendo o primeiro contratado o ex-técnico do Nice Didier Ollé-Nicolle e contando com os gols de Razak Omotoyossi para serem decisivos num confronto direto, e o segundo sem contar com atletas de nome (o mais conhecido é o meia Ng’ambi, que passou por diversos clubes na África Meridional), mas com resultados parelhos recentemente.

 
Kaboré, capitão burquinense, recebe a taça de vice-campeão das mãos de Jacob Zuma
Grupo C
Burkina Faso
Angola
Gabão
Libéria / Lesoto / Quênia / Ilhas Comores

Sem nenhum gigante, há um pequeno favoritismo para a Burkina Faso, que vem em boa fase, com jogadores como PItroipa, Alain Traoré, Dagano e Bancé, sendo finalista da última CAN e batendo na trave nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, quando perdeu a vaga para a Argélia na última fase.

Angola nos últimos anos tem sido uma equipe que perde poucas partidas, mas que também ganha poucas, e reflexo disso foram as eliminatórias para a Copa do Mundo, na qual empataram as quatro primeiras partidas disputadas. Com a maioria dos atletas atuando no futebol local, tentará emplacar a 6ª vez consecutiva participando da CAN.

Já o Gabão, mesmo com muitos atletas no futebol francês, possui nível semelhante a Angola, com destaque para o atacante do Borussia Dortmund Pierre Aubameyang, que pode desequilibrar em confrontos diretos.

Provavelmente o Quênia será o último integrante do grupo, com a Libéria correndo por fora, e acabará tendo esperanças de voltar à competição após 10 anos, liderado pelo volante Victor Wanyama.

 
Camaroneses festejam o título no distante 2002
Grupo D
Costa do Marfim
Camarões
República Democrática do Congo
Suazilândia / Serra Leoa / Gâmbia / Ilhas Seychelles

Dois candidatos ao título já se enfrentam pelas Eliminatórias, Costa do Marfim ainda com boa parte da “Geração de Ouro” (Sem Drogba, que já declarou que parará de atuar pela seleção após a Copa do Mundo) jogando em bom nível, e contando com o melhor jogador do continente, e um dos melhores do mundo no momento, Yaya Touré, e Camarões, que após período de crise e ausência nas últimas edições do torneio dá mostras de recuperação e possui uma das mais pesadas camisas do continente, e pode contar com o astro Eto’o.

A República Democrática do Congo, que costuma ser uma das melhores equipes de nível mediano, deve ser forte nas partidas em casa e arrancar pontos dos grandes, enquanto Serra Leoa ou Gâmbia, as prováveis completadoras do grupo dificilmente serão um saco de pancadas, assim como não almejarão a classificação.

Provavelmente Gâmbia e Serra Leoa decidirão a última vaga, para saber quem ficará com a lanterna do grupo.

 
A história sendo feita: Gyan Asamoah perde pênalti mais importante da história do país
Grupo E
Gana
Togo
Guiné
Madagascar / Uganda / Mauritânia / Guiné Equatorial

Gana é provavelmente a seleção mais bem encaminhada dentre todas as que disputam a Eliminatória. Além de ser uma das mais fortes do continente, não possui sequer um concorrente à altura no grupo, fazendo com que jogadores como Gyan Asamoah, Michael Essien e Sulley Muntari já estejam com um pé na Copa Africana de Nações.

Provavelmente sem o astro Emmanuel Adebayor, que apesar de estar presente no elenco do Togo nas últimas Copas Africanas de Nações, não costuma disputar partidas de Eliminatórias pelo seu país. E fará falta, visto que é um dos melhores atacantes da história do país, que pode brigar pela segunda vaga do grupo caso o novo treinador (ainda indefinido) encaixe o time. Para isso, porém, é preciso se impor também atuando como visitante, já que a seleção não conquista uma vitória fora de casa (incluindo partidas de Eliminatórias para CAN e Copa do Mundo) desde junho de 2007, contra Serra Leoa em Freetown.

Assim como Togo, possui um único jogador mundialmente famoso atualmente no elenco, o meia do Milan Kevin Constant, que junto ao atacante Ibrahima Traoré buscarão conquistar a vaga no torneio cuja seleção da Guiné já foi vice-campeã no longínquo 1976. Nas recentes Eliminatórias para a Copa do Mundo, conquistaram resultados expressivos, num grupo com Moçambique e Zimbábue, além do gigante Egito.

A última vaga deve ficar entre Uganda e Guiné Equatorial, seleção famosa por naturalizar brasileiros (inclusive alguns que ficaram famosos por contrair doenças como malária em suas viagens ao país) que chegou às quartas em 2012, quando atuava em casa. Porém, é mais provável que não retornem à competição ainda, e sequer que cheguem à fase de grupos. Porém, Uganda não deve representar muito perigo, tendo entre os principais jogadores o atacante Dan Sserunkuma, do Gor Mahia queniano, e Mwesigwa, com diversas passagens por clubes nanicos da Europa.


 
Festejadíssimo título zâmbio em 2012
Grupo F
Zâmbia
Cabo Verde
Niger
Tanzânia / Zimbábue / Moçambique / Sudão do Sul

Campeões em 2012, a população da Zâmbia estava confiante na atual geração da equipe, comandados pelos experientes Christopher Katongo, Joseph Musona e o goleiro-artilheiro Mweene, decepcionaram no ano seguinte, quando mesmo invictos, foram eliminados logo na primeira fase da competição. Além disso, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo venceram a poderosa Gana na 2ª rodada, e herdaram pontos de uma derrota para o Sudão na 1ª rodada, aumentando as esperanças de uma estreia em Copas, que não ocorrerá devido a tropeços tolos como no empate em casa contra o Lesoto.

A maior surpresa da última edição do torneio, em que estreou e já chegou às quartas de final, Cabo Verde deposita no goleiro Vozinha, no meia Platini e principalmente no atacante Ryan Mendes sua esperança de voltar à competição, e isso é bastante possível tendo em vista o grupo em que foi sorteado. Resta saber se as recentes boas campanhas foram fruto do acaso, ou se a geração é razoável e ainda tem lenha para queimar.

Outra equipe que surpreendeu a todos quando conquistou vaga nas duas últimas edições do torneio, inclusive caindo no mesmo grupo que Egito e África do Sul no primeiro caso, o Niger não dá mostras de retornar ao torneio tão cedo. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, por exemplo, não conquistou nenhuma vitória (apesar de ter “vencido” o Gabão por W.O. graças à uma irregularidade). É plausível inclusive arriscar que será a lanterna do grupo.

A última vaga deve ficar entre o Zimbábue e Moçambique, duas equipes que inclusive se enfrentaram nas últimas Eliminatórias para a Copa do Mundo, em duas partidas que terminaram empatadas. Independentemente de quem passar, terá alguma chance de classificação, mesmo que pequena.




Grupo G
Tunísia
Egito
Senegal
Burundi / Botswana / República Centro-Africana / Guiné-Bissau

Em um grupo onde três partidas foram consideradas W.O. por irregularidades, a Tunísia acabou “perdendo” a vaga na última fase das eliminatórias para a Copa do Mundo após ser derrotada contra o Cabo Verde (que havia conquistado a pontuação para avançar também graças a uma irregularidade no jogo contra a Guiné Equatorial) mesmo jogando em casa. Eis que uma escalação mal feita foi constatada, e a equipe conseguiu enfrentar Camarões por uma vaga na Copa, quando acabou goleada por 1 x 4. Isso e a eliminação precoce na última edição da Copa Africana de Nações já dão indícios de que a Tunísia não é mais aquela do período entre 1995 e 2006, quando chegou a duas finais de CAN (sendo campeã numa delas) e participou de 3 Copas do Mundo seguidas. Mesmo assim, com a esperança dos gols de Issam Jemâa, continua forte e candidata a uma das vagas na competição.

Em meio a uma forte crise política que acabou interferindo diretamente no futebol do país, tanto com a paralisação do campeonato, quanto na ausência do maior campeão da história da competição nas últimas duas edições, o Egito dava mostras de se recuperar com uma campanha impecável nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, até enfrentar Gana na partida de ida da última fase, e levar uma estrondosa goleada de 1 x 6. Em um grupo difícil, em que inclusive pode enfrentar seu recente algoz, a República Centro-Africana, tem amplas chances de passar, mas talvez não com tanta facilidade. Após a aposentadoria do ídolo Aboutrika, outros jogadores experientes permanecem no elenco, como o volante Fathy, o atacante Gedo, o lateral-direito Elmohamady e o goleiro El Hadary.

Com uma pesada dupla de ataque formada por Demba Ba e Papiss Cissé, o Senegal busca se livrar do rótulo de “time de um ano só”, já que em 2002 conseguiu chegar ao vice-campeonato da CAN, e às quartas-de-final da Copa do Mundo, os maiores feitos de sua história até então, e que perduram até hoje. Está em pé de igualdade com os árabes do grupo, principalmente atuando em seus domínios.

A última vaga deve ficar com a seleção da Botsuana, não apenas pelo futebol, mas também por conta do momento tenso e de conflitos na República Centro-Africana. As duas equipes se enfrentaram recentemente, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, e na partida de ida deu 2 x 0 para os centro-africanos. Na volta, quase um ano depois, 3 x 2 para o mandante.


Melhor 3º Colocado:

A tendência é que saia de um grupo que possua uma seleção fraca e outras três do mesmo nível. 

Dessa forma, é provável que se conquiste facilmente os 6 pontos em cima do lanterna, e que não haja muita diferença de pontuação entre o 1º, o 2º e o 3º colocados.

Provavelmente o time que pegar esta “última vaga” deve fazer algo em torno de 8 a 10 pontos.

Sem pretensões, arriscaria que esta equipe sairá dos grupos B, G ou F.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Guia da Liga dos Campeões Africana 2014 por André Carlos Zorzi

* ATUALIZAÇÃO: Após a publicação inicial deste post, duas equipes desistiram de participar da competição: Os Balantas (Guiné Bissau) e o Steve Biko (Gâmbia). Em ambos os casos por questões financeiras.

No próximo dia 7 de Fevereiro será dado o início à maior Competição de clubes do continente africano, e o Muro do Zorzi produziu um Guia contendo informações sobre todos os clubes participantes da edição 2014.

Abaixo, um pouco mais sobre todos os clubes que participarão da edição, incluindo o brasão, como conquistou a vaga, os principais jogadores, curiosidades ou fatos históricos e as expectativas para o torneio.

Para facilitar a leitura, as equipes estão divididas por ordem alfabética em relação ao nome do país ao qual pertence a equipe. 

Primeiramente, é bom explicar sobre as regras da competição:

Dividida em 6 etapas:
- Fase Preliminar: 52 times em 26 confrontos de ida e volta.

- 16 Avos de Final (1ª Fase): Os 26 classificados da Fase Preliminar se juntam às 6 equipes melhores rankeadas do continente, que já iniciam nesta etapa.

- Oitavos de Final (2ª Fase): Os 16 classificados da última fase se encontram. Os vencedores, avançam à fase de grupos, e os perdedores ganham vaga na fase de Playoffs da Copa da Confederação Africana (semelhante ao que ocorre com os terceiros colocados da Fase de grupo da Liga dos Campeões europeia).

- Fase de Grupos: Os oito classificados da 2ª fase são divididos em dois grupos de quatro clubes cada.

- Semi Finais: Os dois melhores colocados de cada grupo se enfrentam em confrontos de ida e volta. O 1º do grupo A contra o 2º do grupo B, e o 1º do grupo B contra o 2º do grupo A.

- Final: Os dois clubes que chegarem mais longe na competição disputarão o título, que dá vaga ao Mundial de Clubes.

* Todos os confrontos são de ida e volta, e em caso de empate no placar agregado, a regra dos gols marcados fora é aplicada.
* O primeiro critério de desempate na fase de grupos é o confronto direto, seguido do saldo de gols.

Os seguintes países não enviarão representantes para a competição neste ano: Benin, Cabo Verde, Djibouti, Eritréia, Ilhas Maurício, Malauí, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe e Somália.


Alguns termos que serão utilizados ao longo deste Guia:

CAN = Copa Africana de Nações. Disputada a cada dois anos, é a principal competição entre seleções do continente, que dá vaga à Copa das Confederações.

CHAN = Campeonato Africano de Nações. Disputada em moldes parecidos com a CAN, porém, só permite a inscrição de atletas que atuem em seus respectivos países (semelhante ao que acontece no Superclássico das Américas).

CCL = CAF Champions League.

África do Sul – Kaizer Chiefs Football Club

Curiosamente, o Orlando Pirates, finalista da última edição da competição, não estará presente em 2014. Isso porque apenas o campeão da liga possui vaga, e a equipe havia ficado na 3ª colocação. Quem não viu nada de ruim nessa situação foi o time de maior torcida do país, que ficou com a vaga ao sagrar-se campeão com 57 pontos conquistados em 30 partidas.

Entre os principais jogadores estão o goleiro Khune e o meio-campista Tshabalala, ambos  participantes da última edição da Copa do Mundo e do CAN, disputados no próprio país. A maior esperança de gols fica por parte do centro-avante Bernard Parker, autor de 4 tentos em três partidas no CHAN deste ano, e vice-artilheiro da última edição da Liga sul-africana, com 12 gols marcados.

Expectativa na CCL:
Boa. A equipe foi uma das que obteve mais sorte com o chaveamento. Não deve ter dificuldades para passar pelo Black Africa namibiano na fase preliminar, e depois enfrenta o vencedor de Liga Muçulmana do Moçambique contra o CNaPS Sport de Madagascar. Sem fazer muito esforço, já terá chegado à 2ª fase, onde tende a enfrentar o Vita Club congolês democrata, o Kano Pillars nigeriano ou o Dynamos do Zimbábue, e em caso de eliminação, ainda recebe a vaga na Copa da Confederação como consolo. Tende a ficar entre a 2ª fase e a de grupos.



 Angola – Kabuscorp Futebol Clube do Sambizanga

O dono da equipe é Bento Kangamba, um general de reserva das Forças Armadas angolanas, casado com uma sobrinha do presidente José Eduardo dos Santos e atuante no MPLA, o partido que está no poder há 42 anos. Chamou atenção na imprensa brasileira recentemente ao ser envolvido num escândalo de prostituição envolvendo garotas de programa brasileiras. Está atualmente na lista vermelha da Interpol, pelas acusações de Tráfico humano para exploração sexual, Organização Criminosa e Aprisionamento.

Fundado em 1994, o clube sagrou-se campeão nacional pela primeira vez, com uma brilhante campanha: Em 30 jogos, 73 pontos, 53 gols marcados e apenas 16 sofridos. Foram 15 pontos de vantagem sobre o Primeiro de Agosto.
Na pré-temporada que o time realiza em Portugal, resultados não muito animadores: Derrota por 4 x 0 para o Vitória de Guimarães, 3 x 1 para o Desportivo Louletano, 2 x 1 para o Portimorense e 5 x 0 para o Sporting Lisboa.

O elenco do Kabuscorp, que segue sendo comandado pelo técnico búlgaro Edouard Antranik, é predominantemente formado por atletas locais, com uma boa parcela de congoleses democratas, como é o caso da grande contratação do ano, o atacante Mputu, vindo do TP Mazembe e frequente em sua seleção nacional. Conta também com Albert Meyong, camaronês artilheiro do último Girabola com 20 gols marcados. Além dos dois, o volante Kibeixa e o meia Adawá também se destacaram pela última temporada.

Expectativa na CCL:
Média. Deve passar pelo Côte d’Or das Seichelles aplicando um agregado elástico, mas as coisas complicam na fase seguinte, onde provavelmente encara o gigante egípcio Zamalek. Mesmo sendo um confronto dificílimo, tem chances de chegar à 2ª fase, onde enfrentaria o Al Merrikh sudanês, e daí em diante tentar ir o mais longe possível, seja na Copa da Confederação ou Fase de Grupos. Porém, é mais provável que não consiga superar o time egípcio e fique pela 1ª fase.



 
Angola – Clube Desportivo 1º de Agosto

Fundado no dia de seu nome, ao ano de 1977 é o clube Central das Forças Armadas Angolanas, que são seu maior patrocinador.

Comandado pelo técnico moçambicano Dauto Faquirá, não conta com tantos milhões como o seu compatriota Kabuscorp, o que ajuda a explicar a grande diferença na pontuação entre ambos no último campeonato local.

Entre os jogadores mais conhecidos estão o goleiro Hugo Marques e o jovem meia Ary Papel. O clube também contratou o atacante nigeriano Ibukun, que estava no Farense de Portugal.

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve passar com relativa facilidade ante o Liolli do Lesoto, mas a situação já se torna mais difícil no provável confronto contra o Leopards congolês na 1ª fase. Caso consiga avançar, teria de enfrentar o classificado entre o Al Hilal sudanês e o Stade Malien do Mali. É mais provável que fique pela 1ª fase.



 Argélia – Entente Sportive de Sétif

No ano passado, a Federação Argelina fez uma recomendação às equipes do país que haviam obtido vaga para torneios continentais que não os disputassem. O presidente da entidade, Mohamed Raouraoua, deu a entender que a organização da CAF está longe de ser a ideal. Como em muitas “recomendações” que vemos no mundo do futebol, não se trata de algo simples. A Federação já deixou claro que não alterará datas do campeonato local para a participação das equipes na Liga dos Campeões e Copa da Confederação, e o USM El Harrach, além do USM Alger abriram mão de suas vagas, enquanto o CS Constantine tomou a mesma decisão que o Sétif e disputará a Copa da Confederação.

No último mês de dezembro, contratou o experiente treinador Rabah Saâdane, responsável pela classificação da Argélia para as Copas do Mundo de 1986 e 2010. Porém, toda sua bagagem e experiência não foram suficientes para convencer a diretoria, e em menos de dois meses após sua chegada foi demitido, fazendo com que o interino Kheirredine Madoui assuma o cargo. Dessa maneira, o Sétif chega ao número de quatro treinadores diferentes no comando da equipe desde Julho do ano passado. Para quem reclama do incessante troca-troca de técnicos no Brasil, vale ressaltar que o mesmo acontece em outros locais, com intensidade semelhante ou até maior.
Uma situação curiosa ronda o maior feito de sua história. Campeão do campeonato argelino na temporada 86/87, conquistou vaga para a Copa dos Campeões de 1988, mas acabou na 14ª colocação na temporada 87/88, sendo rebaixado para a 2ª divisão. Dessa forma, foi o único time na história da competição continental a ser campeão sem estar presente na divisão de elite em seu país. O título foi conquistado principalmente devido ao forte mando de campo, no qual teve 100% de aproveitamento nas cinco partidas disputadas, contra 7% atuando fora de seus domínios. A equipe ainda foi campeã da Copa Afro-Asiática, competição que reunia o campeão africano contra o asiático, em partida de ida e volta.

Na atual temporada, está na 2ª colocação buscando o título, com 33 pontos conquistados até a 17ª rodada, dois atrás do líder USM Alger. Nos resultados deste ano pelo campeonato nacional, uma vitória por 1 x 0 sobre o CRB Ain Fakroun e outra sobre o MC Oran.

Entre os principais jogadores do elenco estão o goleiro Khedairia, o lateral direito Ziti, o volante Karaoui e o rodado ala Bouazza, que já passou por diversos clubes de Inglaterra, Turquia e Espanha.

Expectativa na CCL:
Boa. Deve ter relativa facilidade para chegar à 2ª fase, passando por equipes como o Steve Biko de Gâmbia e o Diambars senegalês ou Yennenga burquinense. Provavelmente esbarrará com o Coton Sports, que deve ser um páreo duro. O time deve ir longe independente do resultado, seja na Liga dos Campeões em caso de vitória ou na Copa da Confederação caso seja eliminado.



 Botsuana – Mochudi Centre Chiefs Sporting Club

O brasão traz uma espécie de chefe do povo Tswana cercado por zebras, animal que também é símbolo da seleção nacional do país.
Sagrou-se campeão ao encerrar o campeonato de 30 rodadas com 66 pontos, oito a mais que o Nico United. Na atual temporada, à altura da 20ª rodada, ocupa a 3ª colocação com 40 pontos, quatro atrás do líder Defence Force, e dois atrás do Township Rollers.

Os jogadores mais conhecidos são o lateral Galenamothlhale e o meia Mogaladi. A principal esperança de gol vem do atacante Bonolo Fraizer.

Expectativa na CCL:
Baixa. Provavelmente, fique pela fase preliminar, dificultando para o Dynamos do Zimbábue, principalmente na partida de volta em casa. Caso avance de fase, deverá ser eliminado pelo Vita Club do Congo Democrático ou Kano Pillars da Nigeria.



Burkina Faso – Association Sportive du Faso Yennenga

Campeão nacional com larga vantagem (12 pontos) sobre o Santos de Ouagadougou, o clube foi fundado sob o nome de Jeanne d’Arc FC, em 1947. Já conquistou 13 títulos do campeonato nacional, sendo pentacampeão consecutivo desde 2009.

No campeonato atual, não anda bem. Derrotas para o US Ouagadougou e o BPS Koudougou, além de empates com Yatenga e Majestic fazem o time, que ainda não venceu no ano ocupar a zona de rebaixamento, mesmo com o campeonato tendo apenas começado. Ainda não foram disputados jogos no ano.

Entre os principais jogadores estão os meio-campistas Bayala e Nebié, os atacantes Yaméogo e Sango.

Expectativa na CCL:
Baixa. Tende a ter duelo equilibrado com o Diambars senegalês, mas a partir daí dificilmente terá bala para ir mais longe, principalmente se pegar o Sétif pelo caminho. Não aparenta um time a ser goleado, mas não inspira muita confiança e deve ficar entre a preliminar e a 1ª fase.


Burundi – Flambeau de L’Est

Fundado recentemente, no ano de 2010, o clube já conseguiu fazer história ao ser o primeiro campeão vindo do interior do país, na cidade de Ruyigi, de pouco mais de 40 mil habitantes. Até então, todas as equipes que levantaram o caneco eram sediadas na capital Bujumbura.

O título veio já na penúltima rodada, quando empatou fora de casa por 1 x 1 com o Académie Tchité, e o Athletico Olympique perdeu para o Muzinga por 3 x 2. Isso fez com que o Flambeau abrisse 3 pontos de vantagem sobre o 2º colocado, e por conta do primeiro critério de desempate ser o confronto direto (1 x 0 ida e 0 x 0 volta), conquistou o título por antecipação, antes que encerrasse a competição com 47 pontos em 22 rodadas, 31 gols marcados e apenas 8 sofridos.

Os principais atletas do elenco são o goleiro Arakaza, o lateral esquerdo Habonimana, o meia Shabani e o jovem atacante Hakizimana.

Expectativa na CCL:
Baixa. Apesar do Diables Noirs congolês não ser nenhum bicho papão, os burundianos devem ficar pela fase preliminar.


 Camarões – Coton Sport Football Club de Garoua

O time contratou o francês Didier Gomes da Rosa para o comando técnico, substituindo Sébastien Desabre.

O novo treinador terá trabalho difícil se quiser superar os feitos da temporada passada, quando o clube foi semi finalista da Liga dos Campeões (eliminado nos pênaltis para o campeão Al Ahly) e campeão nacional.

O time perdeu o meio-campo Eloundou para o Colorado Rapids (EUA) e o zagueiro Bouba para o Esperance Tunis, mas nada se compara à saída do jovem atacante Kada Yougouda, desde 2011 no clube, e que ano passado foi artilheiro da Liga dos Campeões e uma das revelações da equipe. Aos 19 anos foi vendido para o Nantes da França. O lateral direito Djene Dakonam, que atuou na última CAN e é presença frequente na seleção do Togo, deve ser um dos principais destaques do clube.

Expectativa na CCL:
Boa. Iniciando a competição já na 1ª fase, não deve ter dificuldades no primeiro confronto, provavelmente contra o Diables Noirs do Congo-Brazzaville. A situação pode complicar um pouco caso se deparem com o Sétif argelino. O clube deve prosseguir à fase de grupos e possivelmente ir além. Caso seja eliminado e vá para a Copa da Confederação, tem boas chances de buscar o título também.


 Camarões – Les Astres Football Club de Douala

Clube recente, criado em 2002, já participou de diversas competições continentais, entre elas a Liga dos Campeões de 2011 e 2012, nesta última foi eliminado pelo 8ème Arrondissement da República Centro-Africana já na fase preliminar. Mesmo com bagagem internacional, nunca conquistou um título em seu país.

Com 44 pontos conquistados, foi vice-campeão em 2013 com dois atrás do Coton Sports. A busca pela consolidação em termos locais deve continuar nesta temporada, com um time de maioria dos atletas locais, o destaque fica para o jovem lateral Jean-Patrick Abouna, que já chegou a despertar interesse de clubes ingleses como Wigan e Blackburn, além de servir à sua seleção.

Expectativa na CCL:
Baixa. Caso passe pelo Akonangui, o que é bem provável, dificilmente será páreo para o Mazembe. Não deve passar da 1ª fase.


Chade – Societé Foullah Edifice

Apenas as margens do Rio Chari separam Kousseri, capital do departamento camaronês Logone-Et-Chari de N’djamena, capital Chadiana e sede do Foullah. Por conta dessa proximidade, parte dos jogadores da equipe advém do país vizinho. Longe de serem atletas de alto nível em seu país natal, não devem ser grande esperança na competição.

Para conquistar a vaga, venceu uma espécie de Primeira Divisão, a Liga da cidade de N’djamena, aplicando 3 x 0 sobre o AS CotonTchad na última rodada, e terminou a competição com 38 pontos, três a mais que o Renaissance FC e seis a mais que o próprio CotonTchad.

Um torneio com 12 participantes, de diversas áreas do país foi disputado na capital de 17 a 24 de Novembro passado para que se chegasse ao campeão nacional, que também foi o Foullah, vencendo o AS Clando de Bebédjia por 1 x 0.

Expectativa na CCL:
Nula. Muito dificilmente passará pelo Al Ahly Líbio logo na fase preliminar.



Comores - Association Sportive Komorozine de Domoni

Basicamente, Comores é um arquipélago formado por três ilhas: Njazidja, Mwali e Nzwani. Em cada uma delas, é disputado um campeonato de ida e volta, por pontos corridos, cujo campeão disputa o título em um triangular final com os campeões das outras ilhas.
Excepcionalmente, o último campeonato contou apenas com representantes de Njazidja e Nzwani, fazendo com que ao invés do triangular, fosse realizada uma Grande Final.

Vindo de Nzwani, o Komorozine foi campeão ao conquistar 32 pontos em 18 partidas, um a mais que o Steal Nouvel. Então, em Novembro passado disputou o título comorense com o Enfants dês Comores, de Njazidja. Na partida de ida, empate por 1 x 1 em casa. O título inédito e a vaga na Liga dos Campeões veio com uma vitória por 1 x 0 em território adversário.

Sem jogadores conhecidos, a situação financeira não é das melhores. Entre o fim de dezembro e o início de janeiro, a equipe organizou um torneio amistoso de modo a arrecadar fundos através da venda de ingressos e produtos da equipe, para ajudar a custear as despesas com viagens e hospedagens até a Tanzânia.

Expectativa na CCL:
Nula. É provável que seja eliminado com duas derrotas para o Young Africans da Tanzânia.

Congo-Brazzaville – Athlétic Club Léopards de Dolisie

A equipe foi fundada em 1954 por um padre católico, mas foi em 2009, após a chegada de Remy Ayayos Ikounga, um oficial do Exército influente na política nacional que o clube começou a se agigantar. Tendo até então chegado entre os dois primeiros do campeonato apenas uma vez em sua história, no longínquo 1967, nos cinco anos seguintes à chegada de Remy, o Leopards encerrou três deles como vice-campeão e dois como campeão congolês.

Campeão da Copa da Confederação em 2012 e participante da Fase de Grupos da Liga dos Campeões ano passado (chegou inclusive à última rodada com reais chances de classificação para as semi finais), a equipe liderou com folga o campeonato local: foram 10 pontos a mais que o vice-campeão Diables Noirs, e 26 de vantagem sobre o 3º colocado, Kondzo.

Entre os principais jogadores estão o goleiro Mouyabi-Kiyari, o zagueiro Makita-Passy e o meio-campista Junior Makiesse. A maior esperança de gols recai sobre o centro-avante Biné Drame.

Expectativa na CCL:
Boa. Após enfrentar o Rayon de Ruanda, deve pegar o 1º de Agosto angolano. As coisas começam a equilibrar apenas na 2ª fase, quando pode encarar equipes como o Al Hilal sudanês e o Stade Malien do Mali. Mesmo que seja eliminado, acaba ficando com uma vaga na Copa da Confederação, onde também tem time para ir longe. Tem time para chegar à fase de grupos.


Congo-Brazzaville – Club Sportive Diables Noirs

Fundado 10 anos antes da independência do país, foi vice-campeão nacional na temporada passada após conquistar 77 pontos em 34 partidas disputadas, 16 a mais que o 3º colocado Kondzo.

Com poucos jogadores conhecidos no elenco, perdeu o zagueiro Beranger Itoua para o Orlando Pirates ao fim do ano passado. A esperança de gols deve ficar para o marfinês Losseni Komara.

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve passar com facilidade pelo Flambeau do Burundi na fase preliminar, e então ser eliminado pelo Coton Sports.



Costa do Marfim – Sewé Sport de San Pedro

Localizado em uma das cidades maiores produtoras de cimento do país, a equipe que existe desde a década de 70 teve notório crescimento em anos mais recentes, participando de competições continentais e conquistando o bicampeonato nacional em 2012 e 2013. 

Ano passado, chegou à fase de grupos da competição, na qual conseguiu apenas uma vitória contra o Deportivo Líbolo da Angola. Atualmente líder do campeonato, no ano de 2014 perdeu por 2 x 0 do Amadou Diallo, venceu o Bassam por 2 x 1, o Stella por 1 x 0 e empatou com o Sporting Gagnoa por 2 x 2.

O jogador mais famoso da equipe é o goleiro Sylvain Gbohouo, que fez parte do elenco marfinense na última Copa do Mundo.

Expectativa na CCL:
Média. Deve ter facilidade para passar pelos Balantas da Guiné Bissau, e então enfrentar o Asante Kotoko ganês, um duelo mais parelho. Caso passe, é improvável que supere o Mazembe da República Democrática do Congo. Deve ficar entre a 1ª e a 2ª fase, sendo esta última um ótimo resultado.



Egito – Al Ahly Sporting Club

Para entender a história do Al Ahly é preciso retomar ao ano de 1882, quando iniciou-se a ocupação britânica em território egípcio. Em 1907, foi fundado para funcionar não só como um local para a prática de esportes, mas também um ponto de reunião de lideranças estudantis que lutavam contra a colonização. Muitos clubes à época eram comandados por ingleses e proibiam que cidadãos egípcios se filiassem a eles, o que gerou a denominação do clube como Al Ahly (O Nacional), justamente com o propósito de ser um clube dos cidadãos locais, o que já dava indícios de que se tornaria “O Time do Povo” mais adiante.

Ainda usufruindo da vaga que conquistou ao ser campeão do campeonato egípcio na temporada 2010/11, já que houve paralização do mesmo por conta da situação política do país, o time manteve sua grandeza nesse período, chegando à fase de grupos em 2011, e conquistando o título nos dois seguintes. É a equipe que mais disputou Mundiais no planeta, estando presente em cinco das 10 edições do torneio organizado pela FIFA.

É um dos clubes que possui mais títulos na história, são mais de 100 ao longos da mais que centenária história do clube, entre eles 8 Ligas dos Campeões Africanas, 4 Recopas Africanas, 5 Supercopas Africanas, 36 Campeonatos Egípcios, 33 Copas do Egito e 1 Recopa Afro-Asiática.

A equipe perde muito com a aposentadoria do meia Aboutrika, um dos grandes ídolos da história do clube e do futebol egípcio, mas o goleiro Sherif Ekramy e o zagueiro Wael Gomaa permanecem com a missão de comandar a equipe rumo ao 9° título, apesar de ambos estarem presentes em recentes partidas em que seus times sofreram gols acima do normal, como o 0 x 3 para o Orlando Pirates, o 1 x 5 para o Monterrey e até mesmo o 1 x 6 contra Gana pela seleção nacional. No ataque, Emad Moteab deve ser o principal nome em busca de gols.

Expectativa na CCL:
Boa. Deve passar pelo Youth African da Tanzânia com bastante facilidade, e avançar sobre o Berekum Chelsea ganês ou o seu homônimo de Benghazi. Tem time para chegar tranquilamente  à fase de grupos e inclusive ir além.



Egito – Zamalek Sporting Club

Equipe surgida em 1911 como Kasr-El Nil, também já foi chamada de Moktalat e Farouk até chegar à denominação atual.

É um clube gigante, segundo maior campeão continental da história, com 5 títulos de Liga dos Campeões, uma Recopa Africana, 22 Copas do Egito, 11 campeonatos nacionais, 3 Supercopas Africanas e 2 Recopas Afro-Asiáticas. Isso sem falar nos 31 vice-campeonatos nacionais que já obteve. Ironicamente, fica na mesma cidade que o Al Ahly, talvez um dos únicos clubes do continente que sejam maiores que o Zamalek. Juntos, os times realizam o Derby do Cairo, um dos maiores clássicos do futebol mundial, disputado pela primeira vez em 1917, e mais recentemente em duas partidas na Competição Continental do ano pasado. Por conta das origens dos clubes e da formação de sua torcida, até hoje o jogo ainda é visto como um encontro de um time da classe alta contra um time da classe trabalhadora. Curiosamente, nenhum dos clubes atua em estádio próprio, situação semelhante a de equipes brasileiras como o Flamengo e o Corinthians.

No último 9 de Novembro sagrou-se campeão da Copa do Egito, vencendo o Wadi Negla na final. Foi o primeiro grande título disputado no país desde a paralização dos campeonatos.

O bom goleiro Abdelwahed El-Sayed, o lateral esquerdo Mohammed Abdel-Shafy, o lateral direito Hazem Emam e o atacante Ahmed Gaafar estão entre os nomes do elenco, cuja principal contratação para a temporada foi a do mauritano Dominique da Silva, vindo do rival Al Ahly, que chegou a jogar pelo último mundial e é um dos poucos estrangeiros da equipe.

Expectativa na CCL:
Boa. Deve passar com grande facilidade pelo Douanes do Niger, e enfrentar o Kabuscorp angolano, equipe em ascenção. Caso passe, deve enfrentar o Al Merrikh sudanês, e daí em diante buscar o título, seja da Liga dos Campeões ou da Copa da Confederação em caso de tropeço.


Etiópia – Dedebit Foot Ball Club

Adquiriu a vaga após o inédito título etíope na última temporada, chegando aos 43 pontos em 20 rodadas, seis a mais que o vice-campeão Bunna.

No atual campeonato, repleto de partidas adiadas, é um dos clubes que menos disputou jogos e ocupa a 5ª colocação.

Entre os principais jogadores estão o goleiro Tariku Alemu, o meio campista Taddele Mergiya, além do atacante Dawit Demessie.

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve passar pelo KMKM do Zanzibar na fase preliminar com relativa facilidade, e enfrentar o bom time do Sfaxien tunisiano, contra quem terá dificuldades. Na hipótese de avançar, já terá conquistado um belo resultado, independente de rumar à fase de grupos ou seguir à Copa da Confederação. Deve parar pela 1ª fase.



Gabão – Union Sportive de Bitam

Atualmente na lanterna do recém iniciado campeonato gabonês (apenas 4 rodadas foram disputadas), somando um empate e três derrotas, perdeu o único ponto conquistado devido à escalação de um atleta irregular contra o Mangasport.

Conquistou a vaga ao terminar o último ano com 54 pontos, oito à frente do Mounana, sagrando-se campeão gabonês pela terceira vez em sua história.
O principal jogador é Stéphane N’Guema, que já atuou por vários clubes franceses, como Rennes, Lorient e Paris Saint-Germain, e está no clube desde 2011, além de ter representado a seleção nacional por diversas ocasiões.

Expectativa na CCL:
Baixa. Mesmo que faça um confronto equilibrado contra o Gor Mahia (QUE), enfrentaria o Esperance Tunis já na fase seguinte. Deve ficar pela fase preliminar.



Gâmbia – Steve Biko Football Club

O nome do clube homenageia um dos mais importantes líderes do movimento Anti-Apartheid na África do Sul nas décadas de 1960 e 70, assassinado um ano antes da fundação do clube em 1978.

Chegou ao primeiro título nacional de sua história ao completar o último campeonato local com 36 pontos em 22 rodadas, 18 gols pró e apenas oito gols contra. A conquista veio na última partida, com a vitória por placar mínimo sobre o Hawks fora de casa, encerrando assim a competição um ponto a frente do Real Banjul.

Este ano ainda não conseguiu engrenar, conquistando apenas dois empates contra o Interior e o Banjul United, além de uma derrota para o Armed Forces.
Entre os principais jogadores estão o meio campista Modou Jatta, o atacante Ousman Manneh e o zagueiro Abdou Jammeh, que já rodou por times europeus.

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve ser eliminado Já na fase preliminar para o Sétif da Argélia, mas fazendo jogos duros, principalmente em casa. Caso consiga passar de fase, deve cair logo para o Coton Sport camaronês.

Gana – Asante Kotoko Football Club

Com oito atletas que foram vice-campeões do CHAN 2014 no último dia 1º de Fevereiro, o atual campeão ganês também está liderando o campeonato vigente, que foi pausado em dezembro e será retomado no início de fevereiro, com 34 pontos, 7 à frente do segundo colocado. Vale ressaltar que a federação adiou em uma semana a estreia de seus clubes participantes na Liga dos Campeões (o jogo do dia 5 será disputado apenas dia 12).

À favor do Asante entra em campo a tradição. A equipe já foi seis vezes finalista da maior competição de clubes do continente (à época que ainda chamava-se Copa dos Campeões Africanos), e possui dois títulos, em 1970 e 1983.

A história do clube inicia-se na década de 1920, quando um motorista nascido em Kumasi trabalhava para um soldado inglês na cidade de Accra. Tendo contato com pessoas que já praticavam o futebol na capital, muitas delas inglesas, decidiu fundar um clube de futebol em sua cidade natal, em 1924. Nove anos depois, influenciado por uma profecia de um sábio da cidade, que dizia que se o clube fosse batizado como “Kotoko” (Porco Espinho, na língua Ashanti) isso o levaria a um futuro de muitas glórias. O animal não se restringiu apenas ao nome, e até os dias de hoje permanece em destaque no brasão da equipe, acompanhado do lema Kum apem a, apem beba, que em português significa algo como “mate mil e outros mil surgirão”.

Os Porcos Espinhos, como são conhecidos, buscam chegar à fase de grupos, algo que não ocorre desde 2006, edição em que ficaram em 6º na competição. Para isso, o clube realizou uma das maiores, se não a maior contratação da temporada africana, a vinda do zagueiro capitão da seleção na Copa do Mundo de 2010, John Mensah, que estava no Rennes da França.

Expectativa na CCL:
Boa. Mesmo provavelmente tendo dois bons times pelo caminho, o Sewé Sports marfinense e o TP Mazembe congolês democrata, há chances reais de se classificar após confrontos equilibrados. A fase de grupos não parece impossível, mesmo sendo um objetivo difícil.

Gana – Berekum Chelsea Football Club

Com um caminho mais difícil e um time menos qualificado que seu conterrâneo, o vice-campeão do campeonato ganês não tende a repetir o feito de 2012, ano em que chegou à fase de grupos e por pouco não classificou-se para as semi finais.

O clube possui uma história curiosa. Nascido em 2000, como Semereka FC, teve seu nome alterado para Berekum Chelsea FC em 2004, motivado pela equipe inglesa cujos proprietários do clube torciam. Anos depois, com a justificativa de que haviam muitos times na mesma cidade, mudou-se para uma vizinha chamada Bechem, tendo novamente seu nome alterado para Bechem Chelsea FC. Em 2010, o clube retornou a seu nome e cidade originais, com os quais permanece até hoje, com resultados expressivos.

Atualmente, a equipe ocupa a zona de rebaixamento na liga nacional, com 17 pontos conquistados em 15 jogos disputados, na 14ª colocação entre 16 equipes.

Expectativa na CCL:
Baixa. Apesar da facilidade em passar da fase preliminar, na qual encara o Atlabara do Sudão do Sul, provavelmente encontrará com clubes árabes do norte nas etapas seguintes. É provável que sejam eliminados já na 1ª fase.


Guiné Bissau – Clube de Futebol Os Balantas

Vindo de um país de problemas políticos graves recentemente, incluindo um Golpe de Estado em 2012, ano em que não houve campeonato local, Os Balantas conquistaram o título após somar 40 pontos em 18 rodadas, seis à frente do Sporting Clube de Praia.

O retrospecto recente da nação na maior competição africana não é nada animador. O último participante foi o próprio Balantas, em 2010, edição na qual foi eliminado na fase preliminar, empatando por 0 x 0 a partida em casa e perdendo por 3 x 0 a volta para o Difaa El Jadija do Marrocos. No ano anterior, o Sporting de Bafatá foi o representante, eliminado por W.O.

O clube conta com dificuldades financeiras, inclusive para custear a viagem e hospedagem para a partida de ida na Costa do Marfim.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve cair logo na fase preliminar para o Sewé Sport, provavelmente com uma goleada.

Guiné-Conacri – Horoya Athlétique Clube de Conakry

Campeão após vencer o Batè Nafadji na última rodada por 4 x 1 e somar 46 pontos em 22 rodadas, dois à frente do Satellite FC, que empatou sua partida, o clube disputará sua 3ª edição consecutiva de Liga dos Campeões.

Nos jogos disputados este ano, vitórias por 3 x 0 sobre o Ashanti de Siguiri e Bate Nafadji, empate por 0 x 0 com o Kaloum e derrota por 2 x 1 contra o Santoba. Houve também a partida contra o Kamsar, em que o ônibus da equipe foi atacado por torcedores do time rival,e sequer conseguiu adentrar o estádio. A partida não ocorreu e definiu-se o placar de 3 x 0 favorável ao Horoya.

Entre os principais jogadores do elenco estão o zagueiro Fodé Camara (não confundir com o ex-atacante de mesmo nome) e o goleiro Abdul Aziz Keita, diretos responsáveis pelos apenas 11 gols sofridos no último campeonato, média de meio por jogo.

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve ter vida fácil na fase preliminar contra o Nouadhibou da Mauritânia, mas as coisas já complicam no confronto seguinte, provavelmente contra o Raja Casablanca marroquino. Deve ser eliminado na 1ª fase.



Guiné Equatorial – Akonangui Fútbol Club

A equipe chegou a encerrar suas atividades em 2010, mas retornou dois anos depois, quando subiu da 2ª para a 1ª divisão para então voltar a conquistar o título da última temporada, quando o técnico congolês Jean Marie Claude Kenzo levou a equipe sediada na cidade de Ebebiyín, próxima às fronteiras com o Camarões e o Gabão ao pentacampeonato da liga local.

Levantaram a taça ao derrotar na última rodada do campeonato nacional o The Panthers pelo placar de 1 x 0. A Liga Guiné-Equatoriana possui a participação de apenas oito clubes, que disputam jogos por 4 rodadas para que se chegue ao campeão, o que possibilitou ao Akonangui erguer a taça com apenas 10 pontos conquistados, seis gols pró e um gol contra.

Expectativa na CCL:
Nula. A equipe possui baixíssimas chances de passar da fase preliminar, onde enfrenta o Les Astres camaronês, e mesmo que passasse provavelmente levaria uma goleada no placar agregado do Mazembe.



Lesoto – Liolli Football Club

O Lesoto é o único país no mundo a ter toda sua extensão territorial acima dos 1000 metros de altura, e que no caso de Teyateyaneng, sede do clube, se situa a cerca de 1600 metros. Além disso, é muito pequeno, com apenas 30 mil km² de extensão, sem saída para o mar e em que 40% dos 2 milhões de habitantes vive abaixo da linha da pobreza. 

Em meio a tudo isso, o clube que não conta com muita estrutura sagrou sua vaga na Liga dos Campeões ao tornar-se tricampeão nacional, com 46 pontos em 22 partidas disputadas, seis à frente do Bantu United, com 30 gols pró e 10 gols contra. Atualmente ocupa a 2ª colocação do campeonato nacional, com 29 pontos em 13 partidas, dois atrás do mesmo rival com quem brigou pela taça na última temporada.

Seus principais jogadores são o goleiro Koenane, o lateral-direito Massualle, o meio-campista Moletsane e o atacante Seturumane.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve ser eliminado já na fase preliminar para o 1º de Agosto angolano, porém, não deve haver um placar agregado muito elástico, principalmente por conta de seu jogo em casa.


Libéria – Barrack Young Controller Football

Surgido um ano após o fim da Primeira Guerra Civil Liberiana, em 1997, o nome e o brasão denotam o espírito guerreiro que carrega a equipe, com o lema “Nunca temer nenhum adversário”.

Apesar de ser a estreia da equipe em uma competição internacional, sua filial, o Barrack Young Controller II (uma espécie de equipe como era o Palmeiras B aqui no Brasil) já disputou a Copa da Confederação Africana no ano passado, após ter sido campeã da Copa Nacional em 2012.

No atual campeonato liberiano, a equipe ocupa a 3ª colocação e já realizou três partidas em 2014, vitórias sobre o Keitrace e os Anchors por 1 x 0 e derrota pelo mesmo placar para o Mighty Blue Angels.

Expectativa na CCL:
Nula. Se o chaveamento já é complicado para o Asante Kotoko de Gana, seu primeiro adversário, quanto mais para o clube liberiano. Deve ficar pela fase preliminar.



Líbia – Clube Esportivo Cultural e Social Al Ahly Benghazi

Clube com raízes políticas ligadas à Sociedade Omar Mukhtar, um líder da resistência líbia à ocupação italiana no início do século XX. Uma história interessante ocorrida na virada do milênio cerca o clube. Região com grande concentração de opositores do regime de Muammar Khadaffi, então ditador do país e pai de Saadi, comandante da federação de futebol líbia. Há relatos não confirmados de que um complô de arbitragem vinha sendo feito para que o clube fosse rebaixado, o que acabou gerando a fúria da torcida local, que inclusive chegou a vestir um burro com uma camisa com o número de Saadi, que também era jogador. Segue-se a história de que a estrutura do clube foi destruída a mando do ditador (outra versão aponta que quem destruiu foram torcedores enfurecidos do próprio Al Ahly). Além disso, a equipe recebeu um banimento indefinido de quaisquer competições que fossem disputadas, que durou até o ano de 2005.

Sem ocorrer desde 2011, em Setembro de 2013 o campeonato Líbio voltou a ser jogado. Com 16 clubes divididos em dois grupos de oito equipes cada, ao final de 7 rodadas o Al Ahly foi o que somou mais pontos entre todos os participantes, 16 ao total, e assim garantiu sua vaga na competição continental.

Com alguns jogadores que servem com frequência à seleção nacional, a principal contratação para a temporada foi o nigeriano Victor Namo, artilheiro do último campeonato de seu país com 18 gols marcados pelo Nasarawa United.

Expectativa na CCL:
Média. É  muito provável que passe pela fase preliminar ante o Foullah Edifice do Chade e possivelmente tenha um confronto equilibrado com o Berekum Chelsea ganês, mas não deve ser páreo para encarar uma 2ª fase contra a chave do Al Ahly egípcio. Deve chegar à 2ª fase e rumar para a Copa da Confederação.



Madagascar – Caisse Nationale de La Prévoyance Sociale Sport

A sigla que dá nome ao clube remete à Caixa Nacional de Previdência Social Malgaxe, mantenedora da equipe.
Em um campeonato repleto de fases e grupos, foi campeão ao somar 12 pontos no quadrangular final. Chegou à última rodada precisando vencer a equipe do Saint Michel fora de casa, e conseguiu, carimbando assim a vaga para a competição continental.

Para tentar fazer uma boa temporada, o clube contratou o técnico Gonzalo Sanchez Morena, que já treinou o Barcelona B. O principal jogador da equipe é o atacante Tojo Razafindraibe.

Expectativa na CCL:
Baixa. Dificilmente passará pela Liga Muçulmana do Moçambique, e caso passe, deve esbarrar no Kaizer Chiefs sulafricano. Provavelmente ficará pela fase preliminar.



Mali – Association Sportive Real Bamako

Finalista da Copa dos Campeões africanos no longínquo 1966, quando perdeu o título para o Stade d’Abidjan, além de seis vezes campeão nacional, sendo a última delas em 1991, os escorpiões de Bamako não vivem mais seu melhor momento. Prova disso foi o último campeonato malinês, em que ficaram 14 pontos atrás do campeão na classificação final.

A última participação do time em um torneio africano foi na Copa da Confederação em 2012, quando perdeu por 1 x 0 fora e venceu por 3 x 1 em casa a equipe gambiana do Gamtel. Na fase seguinte, derrota por 3 x 0 fora e vitória pelo placar em mínimo em casa que culminaram na eliminação.

Atualmente ocupa a 10ª posição entre 16 equipes no campeonato nacional, com 8 pontos conquistados em 7 jogos. Em 2014 disputou apenas um jogo oficial, a derrota por 2 x 0 para o Djoliba.

Expectativa na CCL:
Baixa. Muito dificilmente passará pelo FAR Rabat marroquino, e caso consiga deverá ser barrado pelo Enyimba nigeriano. Provavelmente fica pela fase preliminar.


Mali – Stade Malien Football Club

Considerado o melhor clube africano no ano passado pela IFFHS, juntamente com o Esperance Tunis, fez um grande ano de 2013, sagrando-se campeão do Campeonato Nacional, da Copa Nacional e ainda chegando à semifinal da Copa da Confederação Africana.

Tendo como maior conquista a Copa da Confederação Africana em 2009, chega ao 4º ano seguido disputando a Liga dos Campeões, com um elenco formado por atletas locais e sem grandes nomes.

Atualmente encontra-se na 2ª colocação do campeonato malinês, com a mesma pontuação do líder Djoliba. No único jogo realizado no ano, vitória por 1 x 0 sobre o Nianan.

Expectativa na CCL:
Média. Deve passar pelo Sporting Praia Cruz de São Tomé e Príncipe com extrema facilidade, porém, já enfrenta o Al Hilal do Sudão na fase seguinte e possivelmente o Leopards congolês caso avance, que tendem a ser confrontos equilibrados. Deve ficar entra a 1ª e a 2ª fase.


Marrocos – Association Sportive Des Forces Armées Royales

Como o próprio nome já diz, o clube tem ligação com as Forças Armadas do país, o que pode ser notado pela inspiração do brasão, por exemplo. Normalmente é chamado por FAR Rabat.

Econômico nos gols, conquistou a vaga por ser 2º colocado do último campeonato marroquino, no qual marcou 34 tentos e 62 pontos em 30 rodadas.

Com um elenco composto apenas por atletas locais, buscará repetir o feito de 1985, ano em que foi campeão da principal competição continental africana. Mais recentemente, em 2005, venceu a Copa da Confederação Africana, o equivalente a uma Sul-Americana para o nosso continente.

Expectativa na CCL:
Média. Provavelmente passará da fase preliminar, e terá um confronto equilibrado contra o Enyimba. Caso tenha fôlego para ir em frente, tem tudo para ter grandes dificuldades contra o Esperance Tunis antes de chegar à fase de grupos. Deve ficar pela 1ª fase.



Marrocos – Raja Club Athletic (Casablanca)

Equipe que ganhou notoriedade mundial ao eliminar o Atlético Mineiro e sagrar-se vice-campeã do Mundial Interclubes em 2013, o Raja conseguiu a vaga após ser campeão do Botola 2012/13, como é conhecido o campeonato marroquino.

Com apenas metade do campeonato atual disputado, já possui o dobro de derrotas (4) que teve no anterior inteiro. A boa campanha no mundial não reflete exatamente a situação do time no nacional, em que ocupa apenas a 9ª colocação (com dois jogos disputados a menos, é verdade), inclusive tendo perdido a partida seguinte ao mundial, 1 x 0 para o Maghreb Tétouan. Vale ressaltar que mesmo participando da competição da FIFA, não disputou nenhum torneio continental em 2013.

Com muita tradição, o Raja é o clube marroquino mais bem sucedido na competição, tendo conquistado três títulos, em 1989, 1997 e 1999, além de ter chegado à final em 2002, quando perdeu para o Zamalek. Curiosamente, todos os títulos vieram por meio de cobranças de pênalti, proporcionando emoção de sobra às conquistas.

Destaques no mundial, jogadores como Iajour, Moutaouali e o centrafricano Vivien Mabide permanecem no elenco, composto em sua maioria por atletas locais.

Expectativa na CCL:
Boa. Com um caminho fácil até a 2ª fase, passando pelo Diamong Stars da Serra Leoa e provavelmente pelo Horoya da Guiné, tende a  enfrentar o Sfaxien da Tunísia e travar um duelo equilibrado, com plenas chances de chegar à fase de grupos.



Mauritânia - Football Club Nouadhibou

Localizado em uma cidade portuária no litoral do país, foi campeão mauritano atingindo 60 pontos em 26 partidas, três a mais que o ACS Ksar. Atualmente, ocupa a 3ª colocação do grupo A do campeonato local.

Criado em 1999, o clube conquistou sucesso rapidamente, já tornando-se campeão da primeira divisão nas duas temporadas seguintes (00/01 e 01/02).

Entre os principais nomes da equipe estão o goleiro Cheikh Lekhneiver, o meio-campista Ahmed Samb e o atacante El Mamy Traoré. O artilheiro do último campeonato, Wilfried Yessoh, também permanece na equipe.

Desde 2008, a Mauritânia só enviou um representante para a disputa da competição, o FC Cansado, em 2011, eliminado no primeiro confronto contra o ASEC Mimosas marfinense pelo agregado de 9 x 0.

Expectativa na CCL:
Nula. Tentará um placar razoável no jogo de ida em casa, e mesmo que isso aconteça, o Horoya da Guiné-Conacri tem tudo para revertê-lo na volta. Não deve passar da fase preliminar.



Moçambique – Liga Desportiva Muçulmana de Maputo

Campeão do último Moçambola ao somar 52 pontos, 41 gols marcados e 16 sofridos ao final de 26 rodadas, sete a mais que o Ferroviário da Beira, a equipe possui esse nome por conta da significativa quantidade de imigrantes muçulmanos no país, muitos dos quais oriundos da região da Índia e Paquistão que chegam ao Moçambique desde o século XIX, através do Oceano Índico.

Jogadores importantes na campanha do ano passado saíram do time, como o caso de josemar, que foi ao Bravos de Maquis angolano, e Sonito, artilheiro da última Copa da Confederação Africana, que jogará pelo Orlando Pirates. Além deles, também saíram Miro (Bravo de Maquis – ANG), Reginaldo (Nacional – POR), Cantona (Aposentou-se), Caio (Desportivo –MOÇ) e Rachid (Maxaquene).

Chegaram ao clube Daudo (Desportivo de Nacala), Eurico (Ferroviário), Gildo (Costa do Sol), Joaquim (Chingale), Nando (Ferroviário), Beto (Matchedje) e principalmente o do atacante Belito (Ferroviário).

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve avançar pelo confronto contra o CNaPS Sport malgaxe, e já enfrentar o Kaizer Chiefs sulafricano na etapa seguinte, onde tende a ser eliminado;



Namíbia – Black Africa Sports Club

Clube possuído por Ranga Haikali, um magnata local, sagrou-se octacampeão nacional ano passado ao chegar a 47 pontos em 22 partidas, três a mais que o African Stars. O país voltará a ser representado na competição continental após muitos anos de ausência.

Em 2014, empatou por 1 x 1 com o African Stars e venceu o Tura Magic por 2 x 0, ocupando a 3ª colocação na tabela com 22 pontos em 11 jogos.

Entre os principais jogadores estão o lateral Haoseb, o volante Stephanus e o centro avante Katjiteo.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve ser eliminado logo na primeira fase, contra o Kaizer Chiefs sulafricano.



Niger – Association Sportive dês Douanes de Niamey

Algo como a Associação Esportiva das Alfândegas, em tradução literal, sagrou-se campeão Nigerino pela primeira vez na história na penúltima rodada da última temporada. Com seis pontos de vantagem sobre o AS GNN, então segundo colocado, precisava apenas de um empate para garantir o título, que veio com vitória por 4 x 1 fora de casa sobre o Gendarmerie. Ao final do ano, o clube fez 54 pontos em 26 rodadas, marcando 42 gols e sofrendo apenas 18.

Atualmente é líder da liga local, e possui um bom retrospecto nos jogos disputados em 2014: Vitórias contra Gendarmerie e Espoir por 2 x 0, Alkali Nassara por 1 x 0, além de empates com o ASGNN e Zumunta, por 1 x 1 e 2 x 2, respectivamente.

Entre os principais jogadores, estão os defensores Luky James e Mohamed Bachar, além do atacante Nicolas Koffi.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve ser eliminado pelo Zamalek do Egito logo na fase preliminar.



Nigeria – Enyimba International Football Club

Bicampeão da Liga dos Campeões, em 2003 e 2004, possui excelente retrospecto na competição no século, chegando à fase de grupos em 2005 e 2006, às semi finais em 2008 e 2011, além é claro dos títulos. Também foi seis vezes campeão nigeriano, todas elas no novo milênio.O nome Enyimba é uma referência ao Elefante, animal que está presente no próprio brasão do time.

Disputou um torneio preparatório chamado Glo Super Four, organizado pelos mesmos patrocinadores da liga local, e que contou com as quatro equipes classificadas para competições continentais neste ano, e no qual foi o primeiro colocado, com vitórias sobre o Baylesa United por 3 x 0, Warri Wolves por 2 x 0 e Kano Pillars por 1 x 0.

O clube contratou quatro reforços de fora do país para a temporada, Mohamed Bachar, do Niger, lateral direito de 21 anos que estava no Douanes de Niamey, os atacantes Moussa Kasse e Koffi Romeo, respectivamente um malinês que atuava pelo Ashanti Gold de Gana, e um marfinês vindo do COK, além do liberiano Momo Blamo Junior, do LPRC Oliers. Do ano passado, Ifeanyi Ede permanece como um dos goleadores da equipe, após marcar dois gols no CHAN 2014, o qual jogou pela Nigeria.

Expectativa na CCL:
Boa. Não deve ter dificuldades para superar o Anges de Notse do Togo, e o vencedor entre FAR Rabat marroquino e Real Bamako malinês. A situação dificultará caso enfrente o Esperance Tunis na 2ª fase, mas a princípio é um confronto em aberto, e quem superá-lo chegará à fase de grupos.



Nigeria – Kano Pillars Football Club

Campeão do equilibradíssimo campeonato nigeriano do ano passado, no qual apenas 3 pontos separaram o 1º do 4º colocado e 5 pontos separaram o 6º do 18º.

O técnico Okey Emordi foi contratado no último 31 de janeiro, o que lhe dá cerca de uma semana na equipe até a estreia na principal competição do ano. Vale ressaltar que Emordi já levou o Enyimba ao título da Liga dos Campeões, no ano de 2004, e planeja fazer o mesmo com o Pillars uma década depois.

O melhor jogador do elenco é Rabiu Ali, meio-campista responsável por armar jogadas e que vez ou outra deixa sua marca nas redes.

Expectativa na CCL:
Média. Provavelmente terá confrontos equilibrados em todo caminho rumo à fase de grupos, com o Vita Club congolês democrata na fase preliminar, o Dynamos zimbabuano na etapa seguinte e provavelmente ainda o Kaizer Chiefs sulafricano. Deve ficar entre a 2ª fase e a de grupos.


Quênia – Gor Mahia Football Club

Após 17 anos sem levantar a taça do campeonato nacional, voltou aos dias de glória na Tusker Premier League do ano passado, em que terminou 10 pontos à frente de seu rival Leopards, o vice-campeão. Agora, ambas as equipes dividem o posto de maior campeão nacional da história, com 13 títulos cada.

A esperança de uma boa campanha repousa sobre o goleiro Jerim Onyango, de 29 anos, desde 2008 na equipe. Atual capitão, foi o principal responsável pela incrível marca de apenas 15 gols sofridos em 30 partidas no último campeonato queniano.

Já a esperança de gols fica por conta de Dan Serunkuma, ugandense que chegou à equipe em 2012, e desde então vem sendo o artilheiro do time, com 17 gols marcados na liga em seu ano de chegada e 8 no passado.

Outra mudança no time foi a saída do lateral esquerdo Wekesa para a chegada do ugandense Walusimbi para atuar na posição.

Expectativa na CCL:
Baixa. Mesmo que passe pelo Bitam do Gabão, terá uma pedreira pela frente, contra o Esperance Tunis, decidindo a vaga na Tunísia. Deve chegar à 1ª fase e então dar adeus à competição.



República Democrática do Congo – Tout Pouissant Mazembe

Campeão ano passado ao terminar o Linafoot, campeonato local, de forma invicta com incríveis 35 pontos em 13 rodadas (11 vitórias e 2 empates), 38 gols marcados e apenas 4 sofridos. A competição não teve returno, por conta de uma decisão da federação.

Maior clube da República Democrática do Congo, já chegou em seis finais da competição, quatro delas consecutivas, à época da Copa dos Campeões: 67,68,69 e 70, conquistando o bicampeonato nos dois primeiros anos, quando ainda chamava-se Engelbert. O tetra seria completado no biênio de sucesso 2009 e 2010. Em 2002 e 2012, chegou até a fase de semi finais.Já em 1980, foi campeão da Recopa Africana. Além do título nacional.

Na temporada passada, além do título nacional conseguiu a proeza de chegar à final da Copa da Confederação Africana, quando caiu diante do Sfaxien tunisiano.

É reconhecido mundialmente por ter sido o primeiro clube africano a chegar em uma final de Mundial de Clubes vencendo o Internacional brasileiro por 2 x 0, para perder para a Internazionale italiana por 3 x 0 e ficar com a medalha de prata.

Com a saída de Tresor Mputu, que foi para o Kabuscorp angolano, a grande estrela do time é o goleiro Kidiaba, no clube desde 2002.

Expectativa na CCL:
Boa. Já inicia na 1ª fase, e provavelmente jogará contra o Les Astres camaronês, que não deve apresentar muitas dificuldades. Na sequência, boas chances de enfrentar o Sewé marfinês ou o Asante Kotoko de Gana, duelos mais difíceis, mas mesmo assim bastante plausíveis de se avançar. A tendência é que o time chegue na fase de grupos ou até que vá mais longe.



República Democrática do Congo – Association Sportive Vita Club

Segundo maior clube do país, e um dos maiores do continente, surgiu em 1935 sob o nome de Renaissance. Em 39 virou Diables Rouges, para em 42 tornar-se Victoria Club. Apenas em 1971 a equipe chegou ao nome atual e definitivo.

Já foi campeão da competição à época em que ainda se chamava Copa dos Campeões Africanos, em 1973. Voltou à final oito anos depois, mas acabou levando 4 x 0 na partida de ida e 1 x 0 na de volta contra o Tizi-Ouzou (atual Kabylie) argelino e deixou a chance do bi escapar.

Os destaques da equipe ficam por conta dos meio-campistas Mabidi, Nzinga e Ndombe, o goleiro Nguemba e o zagueiro Kasereka.

Expectativa na CCL:
Média. Já de cara enfrenta o Kano Pillars nigeriano, o que promete ser um confronto equilibrado. Caso passe, tende a enfrentar o Dynamos do Zimbábue. Se chegar à 2ª fase, provavelmente encontrará o Kaizer Chiefs. Com tantos confrontos parelhos, qualquer situação parece possível, tanto a chegada à fase de grupos quanto a eliminação na fase preliminar.



Ruanda - Rayon Sports Football Club

Clube ruandês de maior torcida, chegou a mudar-se para a capital Kigali na década de 90, mas em 2012 retornou à sua cidade de origem, Nyanza.

Em um país com um passado assombrado por uma guerra civil sangrenta, um ex-goleiro do clube, chamado Eric Murangwa, também conhecido como Toto, conta uma história interessante sobre a importância do futebol.

No ano de 1994, o Rayon Sports disputava a Recopa Africana, competição que reunia os campeões das copas nacionais do continente. Logo no primeiro confronto, encararam o Al Hilal do Sudão, clube de grande porte. Após derrota por 1 x 0 no jogo de ida, o Rayon conseguiu reverter o placar com uma goleada por 4 x 1. Com a eclosão da Guerra Civil, semanas depois um grupo de soldados adentrou a residência de Toto, e segundo conta, só permanece vivo hoje porque um dos homens o reconheceu como goleiro da equipe de futebol e poupou sua vida e a de seus familiares. Por conta da situação caótica no país, o Rayon não pôde dar continuidade à competição, e desistiu antes mesmo de jogar contra o Breweries do Quênia, na fase seguinte.
Conquistou a vaga após sagrar-se campeão nacional com 57 pontos em 26 partidas, cinco a mais que o Police FC. Na atual temporada, lidera a tabela com 37 pontos, tendo vencido seus três jogos disputados em 2014, contra o Gicumbi, Muhanga e Kiyovu Sports.

Num elenco composto em sua maioria por jogadores locais e alguns atletas de países vizinhos da África Oriental, destacam-se o goleiro Ndayishimiye, o zagueiro Sibomana, e o meia Mwiseneza.

Expectativa na CCL:
Baixa. Logo na fase preliminar encaram um dos bons times da competição, o Leopards congolês. Não devem ser eliminados com facilidade, mas dificilmente chegam à 1ª fase.



São Tomé e Príncipe – Sporting Clube da Praia Cruz

Equipe que não havia se inscrito a tempo para a disputa da competição, recebeu uma boa notícia quando houve a desistência do USM El  Harrach, clube argelino repleto de dívidas, que recentemente  passou por eleições de presidente e até uma ameaça de greve de jogadores e optou por não disputar o torneio seguindo recomendação da Federação Argelina de Futebol.

O campeonato local é dividido entre a Liga da Ilha de Príncipe, que conta com a participação de 6 equipes e a de São Tomé, que conta com a participação de 10 equipes.

O Sporting de Praia Cruz conquistou 46 pontos em 18 rodadas, cinco a mais que o UDRA e conquistou o título da Ilha de São Tomé, enquanto o Porto Real sagrou-se campeão da outra Ilha. Uma grande Final foi disputada, em partida de ida e volta entre os campeões para que se fosse definido o Campeão Nacional. Na partida de ida, vitória do Sporting de Praia Cruz por 2 x 0 fora de casa, e na volta em seus domínios, goleada por 5 x 0.

O clube, que é uma das filiais oficiais do Sporting de Lisboa, não possui nenhum atleta conhecido, e a esperança de marcar algum gol deve ficar por conta do atacante Juju.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve ser eliminado pelo Stade Malien na fase preliminar, com um agregado elástico.



Sudão – Al Hilal Club

Vice-campeão do último campeonato sudanês, perdeu o título para o Al-Merrikh, com quem protagoniza o maior clássico do país e um dos maiores do continente. O nome Al Hilal traduzido é uma referência à fase Crescente da Lua. Como o próprio brasão dá mostras, a equipe é bastante ligada ao mundo árabe.

Apesar de não possuir nenhum título continental, é conhecido por fazer grandes campanhas. Nos últimos sete anos, por exemplo, foi três vezes semi finalista da Liga dos Campeões, além de ter chegado à fase de grupos em outra. Nos outros dois anos restantes, foi semi finalista da Copa da Confederação. Isso sem contar os dois vice-campeonatos de quando a competição ainda chamava-se Copa dos Campeões em 87 e 92.

O jogador mais conhecido do elenco é o atacante senegalês Ibrahima Sané, que já teve passagens por clubes Franceses.

Expectativa na CCL:
Boa. Como já começa na 1ª fase, deve encarar o Stade Malien malinês. Tem boas possibilidades de avançar e encontrar o Leopards congolês, e é bem possível que chegue ao menos até a fase de grupos.



Sudão – Al Merrikh Sporting Club

Campeão sudanês e da Copa do Sudão na temporada passada, teve dois pontos à frente do seu rival Al Hilal ao final do campeonato, somando 63 em 26 rodadas.

Clube tradicional no continente, possui mais sucesso em outras competições como a Recopa e a Copa da Confederação, das quais já foi campeão por uma vez cada, além de diversas campanhas em que chegou às quartas e semi finais. No ano passado, foi eliminado logo em seu primeiro confronto na competição, contra o Desportivo Líbolo de Angola. O nome do clube é a palavra árabe para o planeta Marte.

Entre os principais jogadores estão o goleiro Salim El Hadi e o meio-campista Haji Abdel-Aati.

Expectativa na CCL:
Média. Tem grandes chances de passar pelo Kampala City Council da Uganda na fase preliminar, e provavelmente do Nkana zâmbio na seguinte. Na 2ª fase, tende a enfrentar Zamalek egípcio ou o Kabuscorp angolano. Deve chegar à 2ª fase, e ser eliminado, recebendo assim o direito de disputar a Copa da Confederação e quem sabe ir longe na outra competição.



Sudão Do Sul – Atlabara Football Club Juba

Primeiro representante da história do recente país a disputar a Liga dos Campeões, o Atlabara foi campeão nacional ano passado, no segundo campeonato da história.

Nos amistosos preparatórios que que a equipe tem disputado, os resultados não são muito animadores: Vitória por 2 x 1 sobre o Simba, clube da 2ª divisão e empate por 1 x 1 com o Watania, clube da 3ª divisão.

Expectativa na CCL:
Nula. O futebol ainda engatinha no país. Pouquíssimos clubes da região tinham alguma representatividade nacional antes da separação do Sudão, e as recentes participações de equipes locais nas competições da CECAFA não deixam muita margem a esperanças de melhoras a curto prazo. Não perder uma das partidas para o Berekum Chelsea ganês já seria um bom resultado.



Senegal - Diambars Football Club

Diambars na verdade é uma Instituição sem fins lucrativos fundada pelos ex-jogadores Jean-Marc Adjovi-Boco, Saer Seck, Bernard Lama e Patrick Vieira. O projeto existe desde 2001 e abrange diversos países, com o intuito de conciliar o desenvolvimento futebolístico e educacional de jovens carentes. O clube senegalês filiado à instituição fica em Saly, uma cidade turística com cerca de 20 mil habitantes no litoral senegalês. Há também times do Diambars na Grã-Bretanha, França, Martinica, Canadá, Noruega e África do Sul.

A equipe chegou ao título pela primeira vez em sua história na última temporada, ao conquistar 52 pontos em 30 rodadas, dois a mais que o Olympique de Ngor.

Entre os principais jogadores estão o zagueiro Abdoulaye Seck, o atacante Mignane Diouf e o goleiro Ousmane Mané, que chegou a ser convocado para as Olimpíadas de Londres em 2012.

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve ter um duelo equilibrado já na fase preliminar contra o Yennenga burquinense, e um mais difícil ainda contra o ES Sétif da Argélia, caso passe de fase. Porém, deve ficar entra a etapa preliminar e a 1ª fase.


Serra Leoa – The Diamond Stars Of Kono Football Club

O nome da equipe remete ao fato da região em que se localiza ser rica em diamantes. Inclusive, a principal patrocinadora é uma empresa mineradora da pedra preciosa.

Muita confusão cercou o último ano no futebol serra-leonês, após a exclusão de cinco candidatos à eleição do cargo máximo da Federação de Futebol, entre eles principalmente o maior jogador da história do país, Mohamed Kallon, houve um boicote por parte da maioria das 14 equipes que disputavam o campeonato, entre elas, o Diamond Stars, que posteriormente alteraria seu posicionamento e voltaria a realizar partidas. O principal protesto por parte dos clubes era em relação à desqualificação de Kallon por conta de um artigo em que para tornar-se presidente, o candidato deve residir ao menos pelos últimos cinco anos no país, o que não era o caso. Meses depois, o campeonato foi retomado, mas pouquíssimas partidas disputadas.

Expectativa na CCL:
Nula. Muito improvável que passe pelo poderoso Raja Casablanca, deve ser eliminado já na fase preliminar.



Seychelles – Cote d’Or Football Club

É o time localizado mais ao leste nesta edição da competição, em uma Ilha de cerca de 7 mil habitantes no arquipélago de Seichelles chamada Praslin, o que também o torna o clube vindo da cidade menos populosa.

Campeão pela primeira vez em sua história, encerrou o campeonato com 44 pontos conquistados em 18 partidas, dois a mais que o La Passe, 41 gols marcados e 13 sofridos.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve ser eliminado já na primeira fase, sendo goleado pelo Kabuscorp angolano.



Suazilândia – Mbabane Swallows Football Club

Chegou ao seu 5º título nacional ao vencer o campeonato local do ano passado, somando 48 pontos em 22 partidas, 11 a mais que o Malanti Chiefs.

Atualmente ocupam a 3ª colocação do campeonato local, com 26 pontos em 14 rodadas, quatro a menos que o Royal Leopards (que tem um jogo a mais) e um a menos que o Young Buffaloes. Em 2014 venceu o Manzini Sea Birds por 5 x 3 e empatou com o moneni Pirates por 1 x 1.

O principal jogador do time é o atacante Sabelo Ndzinisa.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve ser eliminado logo na fase preliminar, mas com a esperança de conquistar um bom resultado no jogo em casa, frente ao Nkana da Zâmbia.



Tanzânia - Young Africans Sports Club
O que dizer de um time que conta com o goleiro Barthez, tendo ninguém menos que Dida na reserva? E se para melhorar as coisas, a zaga fosse formada por Cannavaro e Vidic?

É o que acontece no clube que atualmente ocupa a 2ª colocação da do campeonato tanzaniano, com 35 pontos em 16 partidas disputadas, apenas um atrás do líder Azam. Mas não se trata dos astros internacionais homônimos, e sim do apelido de quatro dos atletas do elenco.

Após o intervalo de meio de temporada que teve início na primeira semana de novembro passado, o campeonato voltou no final de janeiro, fazendo com que a equipe tenha disputado três partidas neste ano: Vitória sobre o Ashanti United por 2 x 1 fora de casa, empate com o Coastal Union também fora de seus domínios, além da vitória sobre o Mbeye City por placar mínimo

Expectativa na CCL:
Baixa. Provavelmente terá facilidade para passar pelo Komorozine do Comoros na fase preliminar, mas logo no confronto seguinte encara ninguém menos que o gigante Al Ahly, onde deve ser eliminado.



Togo – Anges de Notsé Football Club

Em 10 de Novembro do ano passado, o Anges ganhava da equipe do Tchaoudjo, atuando fora de casa, pelo placar de 1 x 0. Foi o suficiente para garantir-lhe 59 pontos ao fim de 30 rodadas, dois a mais do que o Douanes, num campeonato que contou com o rebaixamento de um dos maiores clubes locais, o Etoile Filante de Lomé.

Claude Koutob, atacante convocado para a disputa da WAFU Cup pela seleção togolesa deve ser a principal chance da equipe marcar gols.

No Banco, o técnico belga Jean François Losciuto substitui o marfinense Olivier Yaro, que ocupava o cargo à altura do título.

Expectativa na CCL:
Nula. Dependendo de quanto perder o primeiro jogo e da motivação do Enyimba, pode pensar em um resultado razoável atuando em casa.



Tunísia – Esperance Sportive de Tunis

A cinco anos de completar seu primeiro centenário, o clube foi criado quando ainda havia um forte domínio francês sobre as atividades locais, o que levava por exemplo à proibição de criação de times no país, a não ser que fossem comandados por pessoas de nacionalidade francesa. O Esperance foi o primeiro a “quebrar” essa escrita.

Mesmo com 25 títulos do campeonato tunisiano, o que chama atenção é o peso da camisa de um gigante continental. Já tendo sido campeão da Copa da CAF e da Recopa Africana, é bi campeão da Liga dos Campeões, além de ter chegado à final em outras quatro ocasiões e às semi finais em outras quatro.

Entre os principais jogadores do elenco estão o goleiro Bem Chrfia e o lateral-direito ganês Harrisson Afful, além do meia Iheb Msakni.

Expectativa na CCL:
Boa. Não deve ter dificuldades para passar pelo Gor Mahia queniano ou o Bitam gabonês. Na fase seguinte, deve enfrentar o Enyimba da Nigeria, ou o Rabat marroquino. Tem tudo para chegar à fase de grupos e até ir além.



Tunísia – Club Sportif Sfaxien

Com 8 títulos do campeonato nacional, menos de um terço do que o Esperancé, foi campeão ao conquistar 13 pontos no quadrangular final, um a mais que seu rival.

Mesmo sendo um clube fundado em 1928 e tendo vencido uma Copa da CAF em 1998, os melhores resultados internacionais da equipe vieram recentemente, com o vice da Liga dos Campeões em 2006 e o tricampeonato da Copa da Confederação em 2007, 2008 e 2013., além do vice de 2010. Não é um clube bem sucedido apenas no futebol, ano passado, por exemplo, a equipe de vôlei estava presente no campeonato mundial de clubes realizado no Brasil.

Entre os principais jogadores estão o ala Bem Youssef e o atacante marfinense Idrissa Kouyaté.

Expectativa na CCL:
Boa. Começando na 1ª fase, bastará vencer o Dedebit da Etiópia para chegar à 2ª fase, onde deve se encontrar com o Raja Casablanca. Tem chances reais de chegar à fase de grupos, porém, se for eliminado na ante o time marroquino, ganha vaga na Copa da Confederação, competição que já demonstrou conhecer muito bem.



Uganda – Kampala City Council Football Club

Teve seu auge na segunda metade da década de 70, período em que o ditador Idi Amin Dada era presidente do país, quando foi bicampeão nacional em 76 e 77, bicampeão da Copa Nacional em 79 e 80, campeão da Copa da CECAFA em 78 e chegou às quartas de final da Copa dos Campeões no mesmo ano. Além disso, foi finalista da Copa da CECAFA em 79.

Campeão do último campeonato local ao conquistar 63 pontos em 30 rodadas, sete a mais que o Uganda Revenue Authority, com 50 gols marcados e apenas 16 sofridos.

Entre os principais jogadores estão o goleiro Nicholas Sebwato e os atacantes Herman Wasswa e principalmente Brian Majwega, que é especulado para ser contratado por alguns clubes sul-africanos, apesar de nada ter sido concretizado ainda.

Expectativa na CCL:
Baixa. Provavelmente será eliminado pelo Al Merrikh sudanês logo na fase preliminar, e caso passe enfrentará o Zamalek egípcio ou o Kabuscorp angolano, adversários duríssimos.


Zâmbia – Nkana Red Devils Football Club

Fundado em 1935 com o nome de Rhokana United, foi o cube de maior sucesso no país entre as décadas de 80 e 90. Nelas chegou a conquistar 10 títulos do campeonato nacional e 5 da Copa Nacional, além de boas campanhas na Copa dos Campeões, chegando 3 vezes às quartas de final, 4 vezes às semi finais e sendo vice-campeão em 1990, melhor campanha de um clube Zâmbio na competição continental até hoje, quando perdeu nos pênaltis para o Kabyile argelino.

Conquistou a vaga com o título do campeonato local ano passado, após chegar a 59 pontos em 30 rodadas, dois a mais que o ZESCO United, marcando 45 gols e sofrendo 25.

Os principais jogadores são o atacante Festus Mbewe e o meia Sidney Kalume, este último o maior destaque do clube na temporada passada, e que chegou a receber proposta do Gor Mahia queniano no fim do ano, optando por permanecer no clube zâmbio.

Expectativa na CCL:
Baixa. Deve passar pelo Mbabane Swallows da Suazilândia na fase preliminar, e ter vida dura ao enfrentar o vencedor de Al Merrikh sudanês e Kampala City Council da Uganda. Deve ficar pela 1ª fase.



Zanzibar – Kikosi Maalum cha Kuzuia Magendo Sports Club

O clube é mais conhecido pela sigla KMKM, e seu significado em Suahili é algo próximo a “Força Tarefa de Prevenção ao Contrabando”.

Mesmo não sendo efetivamente um país, e não ter uma seleção reconhecida pela FIFA, o Zanzibar possui vaga nas competições continentais de clubes organizadas pela CAF. O campeonato local é disputado por representantes de três ilhas do arquipélago: Mafia, Unguja e Pemba.

O técnico Ally Bushiri deve ter dificuldades para conquistar um bom resultado tendo em conta o elenco fraco que tem a mão.

Expectativa na CCL:
Nula. Deve ser eliminado já na fase preliminar contra o Dedebit da Etiópia, provavelmente com um placar agregado elástico.



Zimbábue – Dynamos Football Club

Mesmo nunca tendo sido campeão, o time de Harare tem um bom retrospecto na competição, já tendo chegado à final em 1998 e às semi finais em 2008, no auge da crise recente no país, mundialmente famosa pela alta inflação que gerou as notas de “trilhões de dólares zimbabuanos”.

A equipe garantiu a classificação ao sagrar-se campeã numa disputa acirradíssima pelo título. Dynamos, Highlanders e o Harare City terminaram a competição de 30 rodadas com os mesmos 54 pontos, porém, o Dynamos teve 21 gols de saldo, enquanto os outros dois obtiveram 18. A decisão do vice-campeão foi decidida nos gols pró, 45 contra 43 em favor do Highlanders.

Entre os jogadores a se destacar estão o goleiro George Chigova, o zagueiro Patson Jaure e o centro-avante Simba Sithole.

Expectativa na CCL:

Média. Tem grandes chances de passar da fase preliminar, contra o Mochudi Chiefs da Botsuana, mas logo em seguida encara o vencedor entre Kano Pillars da Nigeria e Vita Club da R.D. do Congo. Tem possibilidades de passar, mas é mais provável que fique pela 1ª fase.

Textos escritos por André Carlos Zorzi